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Luxo em crise: turbulência econômica abala confiança de consumidor do setor
10h38

SÃO PAULO - A atual turbulência pela qual passa a economia mundial chegou ao mercado de luxo. De acordo com a 7ª edição do estudo Luxury Goods Worldwide Market Share, da Bain & Company, a crise econômica e as flutuações da taxa de câmbio abalaram a confiança de muitos consumidores do segmento em mercados maduros, como Japão, Europa e Estados Unidos.

Segundo a pesquisa, em 2009, os bens de luxo enfrentarão sua primeira crise financeira em seis anos, com declínio de 7% nas vendas globais. Já este ano, a taxa de crescimento no setor deve cair abruptamente para 3%, seis pontos percentuais a menos em relação a 2006, quando o crescimento registrado foi de 9%, e três pontos percentuais e meio na comparação com 2007, que apresentou 6,5% de expansão.

Nos mercados maduros, responsáveis por 80% das vendas mundiais, as quedas já são perceptíveis. No Japão, que corresponde a 12% do movimento global, o recuo esperado para 2008 é de 7%. A Europa, com 38% do setor, verá seu crescimento cair pela metade, ficando em torno de 5%, e as Américas, que registraram crescimento de 4% em 2007, não apresentarão alterações este ano.

Recuperação a longo prazo
Se no curto prazo o mercado de luxo enfrentará momentos difíceis, a longo prazo as previsões são otimistas, especialmente para as marcas internacionais, como explica uma das autoras do estudo da Bain & Company, Claudia D'Arpizio.

"O impacto da crise financeira irá causar recessão em alguns setores. O quanto e por quanto tempo, depende, em parte, de como as empresas irão reagir. As que mais resistirão são aquelas que possuem marcas internacionais fortes e diversificadas", disse.

Ainda de acordo com a pesquisa, nos próximos cinco anos, a elite mais abastada de mercados emergentes, como Brasil, Índia, China e Rússia, devem aumentar seus gastos em artigos de luxo em cerca de 20% a 35%.

Para que o setor volte a se recuperar ainda mais rápido, D'Arpizio sugere regras de ouro: maior foco no consumidor, com iniciativas de marketing localizadas; fortalecimento da oferta de produtos, com aumento seletivo de preços, evitando a elevação dos custos em todo o portfólio.
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