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Empresários do setor de serviços avaliam crise e fazem balanço de 2008
08h18
SÃO PAULO - Na avaliação do presidente da Cebrasse (Central Brasileira do Setor de Serviços), Paulo Lofreta, até agora, a solidez no mercado interno garantiu certa estabilidade às empresas prestadoras de serviços nesse período de crise mundial.
Segundo a última Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o setor engloba cerca de 960 mil empresas, empregando 45% da mão-de-obra ocupada (37,7 milhões de trabalhadores), e sendo responsável por 40% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
Avaliação dos empresários
Sondagem realizada pelo Cebrasse mostra que há consenso entre dirigentes de federações e associações de prestadoras de serviços em todo o país. Para a maioria dos representantes de empresas, é difícil diagnosticar com precisão as consequências da crise, embora a possibilidade de retração exista. Confira as avaliações feitas pelos representantes de cada segmento:
- Limpeza urbana: A atividade emprega 40 mil trabalhadores somente no estado de São Paulo, número que não pode ser reduzido. O presidente do Selurb (Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana), Ariovaldo Caodaglio, lembra que os municípios são os clientes da atividade e avalia que "muitos deles poderão ter redução de receitas e dificuldades no cumprimento do orçamento para 2009, eventualmente com aumento da inadimplência". Além disso, os cronogramas dos investimentos previstos nos serviços já contratados poderão ser afetados, de acordo com Caodaglio, especialmente nas obras de custo elevado - como os aterros sanitários, que exigem altos investimentos do poder público, da iniciativa privada ou de parcerias entre ambos.
- Limpeza Pública e Resíduos Especiais: Uma crise que acarrete restrições econômicas traz redução no consumo, o que implica queda na geração de resíduos sólidos, tanto no âmbito urbano como no das indústrias, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Alberto Bianchini. "Mas, por serem essenciais, os serviços de coleta, transporte, tratamento e disposição de resíduos não podem sofrer redução, suspensão ou paralisação. Dessa forma, em qualquer cenário econômico, os serviços continuarão sendo prestados com total qualidade e eficiência, suprindo a demanda", afirma ele.
- Empresas de software:Mesmo sem arriscar um percentual, o presidente da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software), José Curcelli, acredita em queda nas vendas e consequente demissão de funcionários da área de informática. Mas prevê que funcionários mais experientes serão mantidos. A Abes estima que, mesmo com as dificuldades, deve haver crescimento em torno de 6% em 2009. "Softwares são produtos que agregam valores como produtividade, economia, rapidez e maior controle, atributos essenciais para momentos de crise", diz Curcelli. Antes da crise, as projeções de crescimento setorial estavam em torno de 12% em 2009.
- TV por assinatura: O presidente do Seta (Sindicato Nacional das Empresas de TV por Assinatura), Alexandre Annenberg, é enfático ao afirmar que há motivos para o setor estar menos vulnerável à crise do que outros segmentos de prestação de serviços. Um deles é porque a TV fechada não significa apenas entretenimento para os assinantes, já que o avanço tecnológico e os investimentos na digitalização das redes possibilitam oferecer ao consumidor os serviços de banda larga e telefonia. O empresário argumenta que a banda larga (acesso à internet em alta velocidade) é hoje um instrumento indispensável, tanto no mundo corporativo como nas residências. "As redes de TV a cabo oferecem a melhor tecnologia de banda larga, em termos de acessibilidade, qualidade, velocidade e também preços", diz. Além disso, há a disponibilidade de serviços de telefonia, com tarifas mais atraentes na comparação com as oferecidas pelas concessionárias de telefonia fixa. Outro aspecto relevante, segundo Annenberg, é o surgimento de conteúdos audiovisuais em alta definição (HD), tecnologia que deverá entrar nos lares brasileiros de forma mais consistente em 2009.
- Odontologia:Embora a ABO (Associação Brasileira de Odontologia) ainda não disponha de dados consolidados sobre o impacto da crise no setor, seu presidente, Norberto Lubiana, já identificou retração na participação das empresas nos eventos e também nas publicidades em veículos internos de comunicação da entidade. "A redução, hoje, já alcança 20%, incluindo queda nas cotas de patrocínio e nos investimentos em divulgação por parte das empresas", contabiliza.
- Setor da Saúde: O presidente do Sindhosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo), Dante Montagnana, lembra que, no setor da saúde, muitos insumos de diagnósticos são comprados em dólar, e a alta da moeda faz os custos dos procedimentos subirem. "Com isso, há receio de demissões", diz. "Como os prestadores de serviços não conseguem negociar esse aumento de custos com as operadoras de planos de saúde, o receio de demissões é real", argumenta, alertando que isso acarretaria a diminuição do número de usuários da saúde suplementar, visto que 70% dessas carteiras são de planos coletivos.
- Combate às pragas: Para quem presta serviços de combate a pragas em residências, os impactos ainda são praticamente imperceptíveis, avalia o presidente da Feprag (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Vetores e Pragas Urbanas), Antonio Marco França. Contudo, empresas que têm contratos de prestação de serviços com segmentos específicos, principalmente os ligados à indústria agropecuária, já sentem dificuldades: os casos inadimplência já estão entre 15% e 20%. A atividade vinha num ritmo anual de crescimento entre 10% e 15%, mas França prevê um 2009 bastante difícil, com queda em torno de 10% no faturamento previsto. "Preocupa-nos também a queda dos preços, que já estão aviltados", complementa França.
- Arquitetura e engenharia: o presidente do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), José Roberto Bernasconi, considera que o gerenciamento de obras e o desenvolvimento de projetos sentiram retração significativa em 2009, tendência que o segmento já vem identificando desde outubro passado, quando investimentos para o setor de construção começaram a escassear. "Os capitais, antes abundantes, desapareceram. Com isso, setores vitais da economia revisaram seus investimentos para a contratação de novos projetos e ampliação e construção da infra-estrutura do país. Nesse cenário, tanto obras públicas como privadas diminuem suas demandas por novos projetos de serviços de arquitetura e engenharia", analisa. Para ele, o impacto no segmento que representa depende da superação das incertezas quanto à duração da crise e também da resolução de questões relativas ao crédito e a garantias de manutenção de investimentos. "O governo precisa atuar de forma a manter os investimentos em infra-estrutura, fornecendo instrumentos de financiamento eficazes e a custos menores".
Trabalho temporário pode ser saída
O diretor de Comunicação do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviço e Trabalho Temporário), Vander Morales, defende o trabalho temporário como uma alternativa viável perante o quadro de retração da atividade produtiva.
Flexível, essa modalidade de contratação possibilita recrutar funcionários por prazos curtos e variáveis, na medida de suas próprias necessidades, beneficiando empresas em épocas de retração, assegurando a manutenção e oportunidades de emprego, além de contribuir para assegurar a arrecadação tributária.
O prazo de contratação de temporários é de três meses, prorrogáveis por mais 90 dias. Morales salienta ainda a tramitação, em Brasília, do projeto de lei 4.302/98, que ampliaria esse prazo para seis meses, prorrogáveis em mais três. "A aprovação dessa medida aperfeiçoaria o trabalho temporário, tornando-o um meio ainda mais eficiente para as empresas poderem minimizar efeitos da crise financeira, evitando demissões em massa", afirma o especialista. |
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