Poucos ficarão sem crédito para compra de imóvel na planta, diz Secovi
12h27
SÃO PAULO - De acordo com o presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), João Crestana, uma pequena parcela das pessoas que compraram imóvel na planta nos últimos dois anos, que pagaram uma parte para a construtora e que, agora, precisam de empréstimo bancário sofrerão alguma consequência da crise, como restrição de crédito.
"As pessoas que compraram imóvel na planta de classe média e baixa tomam empréstimo na Caixa Econômica Federal e as condições estão iguais do que nos últimos seis meses", explicou o especialista, que ainda disse que esta parcela da população corresponde a algo entre 60% e 65% dos financiamentos.
Bancos privados
Uma parcela de 20% a 25% toma o empréstimo em bancos privados, sendo que metade dessas instituições estão com condições semelhantes de financiamento, porque querem cativar o cliente imobiliário, uma vez que ele tem um horizonte de 15 ou 20 anos. Outra parte dos bancos estão aumentando os juros, mas nada exorbitante.
"Agora, existem bancos que, por oportunismo, excesso de cautela, ou pelos dois motivos, aumentaram as taxas de juros, mas não é nada que impeça a pessoa de comprar o imóvel", disse Crestana, completando que grande parte dos aumentos dos juros foram, por exemplo, de meio ponto percentual.
Negociações
As pessoas que recorrem aos bancos privados são, em sua maioria, de classe média alta. Então, de acordo com Crestana, quando essas pessoas não conseguem o empréstimo, elas começam a se desfazer de bens de pouca utilidade para poder negociar, o que representa 15% dos financiamentos.
"O que acontece é que a classe média alta, que tem carro sobrando, moto sobrando, uma casa na praia, se livra disso para, em vez de pegar 60%, pegar 45% do valor do imóvel para empréstimo. Ou então, ela trabalha ao longo dos dois anos e acumula mais do fundo de garantia para dar de entrada. Ou ainda, ela vende os bens e pega o fundo de garantia e vai negociar direto com a construtora".
Sem saída
Aquelas que não conseguem negociar com a construtora, as quais correspondem a 1% ou 2%, estão no caso mais extremo, chegando a desistir do imóvel, vendendo para a construtora. De acordo com Crestana, este não é um cenário genérico.
"O que acontecia há dez anos, acontece hoje e vai acontecer daqui a cinco anos é que vão ter pessoas que não conseguirão pagar o empréstimo por causa da deterioração de sua condição de crédito", explicou o presidente do Secovi-SP. Ao longo dos dois anos em que a pessoa adquiriu o imóvel na planta e pagava direto para a construtora, ela desequilibrou seu orçamento.
"Eu não afasto a possibilidade de que alguns bancos vão ser mais restritivos. Aquelas pessoas que em dois anos pagaram o bem e mantiveram sua rigidez no orçamento vão ter crédito. Aquelas que foram mais frouxas, permissivas, deteriorando as condições de pagamento, vão ter mais dificuldades".
Mesmo neste caso, Crestana acredita que o mercado não será muito prejudicado porque a construtora não terá prejuízos em retomar os imóveis, que valorizaram nos últimos dois anos de acordo com a inflação, trazendo rendimentos maiores do que outras formas de investimento. |