Dólar em alta faz turista trocar viagem internacional por cruzeiro
10h18
SÃO PAULO - A crise financeira mundial fez o dólar disparar. Antes de setembro, ele estava cotado a R$ 1,60, mas chegou a atingir patamares acima de R$ 2,30, devido à fuga de investidores. A mudança no cenário econômico fez com que muitos brasileiros deixassem de viajar ao exterior, aderindo aos cruzeiros marítimos domésticos.
Cruzeiros de cabotagem - que navegam apenas na costa brasileira - atraíram os brasileiros pelo preço, muitas vezes único por pessoa e que já inclui acomodação, alimentação, entretenimento e diversos atrativos. O pacote fechado compensou para os turistas, que se deparam, nos navios, com preços em dólares.
Temporada atual
Na temporada 2008/09, o número de pessoas a bordo dos 14 transatlânticos com bandeiras estrangeiras aportados no Brasil deve chegar a 500 mil, de acordo com estimativas da Abremar (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas). O número representa um aumento de 25% frente à temporada anterior.
"O turismo de cruzeiros continua o mesmo excelente mercado. Continua a ser um grande atrativo e o melhor produto em termos de custo-benefício", afirmou o presidente da Abremar, Eduardo Nascimento, à Agência Sebrae.
Nos últimos dois anos, os cruzeiros de cabotagem diversificaram roteiros e opções de entretenimento, o que permitiu um crescimento de mais de sete vezes da modalidade (623%). O avanço representa uma média de 33% ao ano. "As empresas que fazem cruzeiros de cabotagem reforçam a marca Brasil ao colocarem seus navios em águas brasileiras, agregando credibilidade ao destino", disse Nascimento.
Internacional
Mesmo os navios internacionais agiram para conquistar os turistas, diante da alta do dólar. Empresas que comercializam viagens para outros países fixaram a moeda norteamericana abaixo da cotação atual, para passageiros que fizeram as reservas até novembro passado. Além disso, facilitaram a compra parcelando em mais vezes os valores.
Segunda a Abremar, os cruzeiros internacionais estão diminuindo a presença na costa brasileira, por conta da falta de infraestrutura. "A ausência de legislação transparente compromete o potencial turístico que o Brasil passou a representar, nos últimos anos, para os cruzeiros internacionais". |