Setor de cruzeiros de cabotagem cresce 33% ao ano
09h17
SÃO PAULO - Os cruzeiros de cabotagem cresceram mais de sete vezes (623%) no Brasil, nos últimos oito anos, de acordo com a Abremar (Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas). O percentual equivale a um crescimento de 33% ao ano.
Os cruzeiros de cabotagem se diferenciam dos internacionais porque operam exclusivamente na costa brasileira. "As empresas que fazem cruzeiros de cabotagem reforçam a marca Brasil ao colocarem seus navios em águas brasileiras, agregando credibilidade ao destino", explicou o presidente da Abremar, Eduardo Nascimento, à Agência Sebrae.
Potencial brasileiro
Apesar do crescimento dos cruzeiros de cabotagem nos últimos anos, os números do setor, no Brasil, poderiam ser ainda maiores. O mercado norteamericano é o maior do mundo, com 14,6 milhões de turistas de cruzeiros. Já os países europeus ocupam o segundo lugar no ranking de consumo de roteiros marítimos, com cerca de 4 milhões de turistas.
O destino preferido dos cruzeiristas é a região do Caribe, há mais de 50 anos. Por sua vez, a costa do Mediterrâneo é o local mais visitado pelos europeus, durante o verão do hemisfério norte. "Em ambos os casos, os roteiros se repetem e já não constituem novidade. Seus consumidores tendem a procurar novos destinos e navios", disse Nascimento.
Gargalos
Apesar de todo o potencial do Brasil, persistem alguns gargalos. Praias ensolaradas o ano todo, bons resorts, cultura e artesanato dão ao Brasil condições de competir internacionalmente como destino de cruzeiristas. Mas, segundo o presidente da Abremar, o trabalho da Embratur e do Ministério do Turismo na divulgação da costa brasileira é insuficiente para o segmento de cruzeiros marítimos.
"Cruzeiristas internacionais são turistas exigentes", avaliou ele. Além da falta de publicidade, são também empecilhos a ausência de infraestrutura adequada e portos satisfatórios para o recebimento desses turistas.
Cruzeiros internacionais
Na contramão da navegação de cabotagem, os cruzeiros internacionais de longo curso, que iniciam e concluem seus roteiros em portos estrangeiros, estão diminuindo sua presença na costa brasileira, segundo a Abremar.
O fluxo dos maiores e mais luxuosos transatlânticos, que realizam esses roteiros, sofreu queda, passando de 218 (temporada 2004/05) para 116 (temporada 2008/09). O número implica uma redução de 53%.
"A ausência de legislação transparente compromete o potencial turístico que o Brasil passou a representar nos últimos anos para os cruzeiros internacionais", ressaltou Nascimento. Por exemplo, cruzeiros internacionais com escalas em mais de um porto nacional são considerados navegação de trânsito doméstico ou de cabotagem pelas autoridades brasileiras.
Assim, as empresas de cruzeiros internacionais ficam sujeitas a cumprir exigências burocráticas e tributárias, que inviabilizam sua operação. "Aplicar o sistema tributário a um navio de passagem no Brasil, convenhamos, é um apelo para que ele se afaste da nossa costa", concluiu. |