Para 91% dos industriais, terceirização é importante para reduzir custos
11h28
SÃO PAULO - Pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) revelou que 91% das indústrias do País consideram a contratação de serviços terceirizados uma alternativa importante para reduzir custos.
Esse corte de custos está associado à melhoria da qualidade, que é buscada por 86% das contratantes, e à atualização tecnológica, essencial para 75% das consultadas.
Participaram da pesquisa 1.443 empresas, sendo 798 pequenas, 433 médias e 212 grandes, entre os dias 30 de setembro e 20 de outubro de 2008.
Terceirização
O levantamento também mostrou que 54% das empresas industriais brasileiras utiliza ou utilizou, nos últimos três anos, serviços terceirizados. Além disso, profissionais terceirizados somam 14% da mão-de-obra de todo o setor.
Apesar de importante, a terceirização também implica o enfrentamento de alguns gargalos, conforme indicou a pesquisa. Por exemplo, 58% dos entrevistados citaram a qualidade menor do que a esperada como um problema. Outros 48% lembraram dos custos acima do esperado.
"Essas duas questões são resolvidas por forças de mercado, pela competição. O terceiro problema que mais aparece na pesquisa, com 47%, é a insegurança jurídica, que depende exclusivamente de regulamentação", avalia o gerente executivo de Pesquisa, Avaliação e Desenvolvimento da CNI, Renato da Fonseca.
Ferramenta que amplia competitividade
Mesmo com os gargalos, os empresários argumentam que, se o governo dificultar a terceirização - como pode fazer, por meio do Projeto de Lei 4.302/98, que regulamenta a prática -, o nível de competitividade de suas indústrias será afetado. A sondagem da CNI revelou que, entre as empresas que contam com até 10% de terceirizados, 33% deram essa resposta.
Mas o percentual de indústrias que perderiam competitividade sobe exponencialmente entre as que têm entre 25% e 50% de terceirizados entre seus trabalhadores. Nada menos que seis em cada dez empresas teriam a capacidade de concorrer em seus mercados comprometida, caso não possam mais terceirizar serviços.
Sobre o projeto
O Projeto de Lei 4.302/98 está pronto para ser levado ao plenário da Câmara dos Deputados. O texto, porém, foi modificado na CTASP (Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público), que retirou a responsabilidade subsidiária em relação aos eventuais passivos trabalhistas e passou a contemplar a responsabilidade solidária, prejudicando assim as empresas que contratam força de trabalho terceirizada.
"A garantia, para o trabalhador, é exatamente a mesma nos dois casos. A diferença é que, na responsabilidade subsidiária, defendida pela CNI, a empresa contratada tem de ser acionada na Justiça primeiro. Caso não seja localizada ou não tenha condições suficientes, a contratante é executada", explica o gerente executivo de Relações do Trabalho e Desenvolvimento Associativo da CNI, Emerson Casali.
Segundo ele, a adoção da responsabilidade solidária vai acabar, na prática, com a terceirização. "Nenhuma empresa vai querer contratar uma terceirizada, mesmo sabendo da idoneidade dela e monitorando se as obrigações trabalhistas estão sendo respeitadas, se o trabalhador puder simplesmente passar por cima da terceirizada e acionar diretamente a contratante na Justiça", opina.
O relator da matéria na Câmara, o deputado Sandro Mabel (PR-GO), informou que as negociações sobre essa responsabilidade serão englobadas no texto final e se darão a partir desta semana. Ele pretende aprovar a proposta até o final deste mês.
Obrigações trabalhistas
Por fim, a pesquisa ainda apontou que é elevado o número de empresas que acompanha o cumprimento, pela contratada, das obrigações trabalhistas. Isso se dá principalmente entre as grandes empresas, das quais 90% fazem essa "fiscalização". Entre as empresas de médio porte, 84% o fazem periodicamente. No caso das micro e pequenas, esse percentual é de 58%.
Para Casali, esses dados reafirmam que a chamada "precarização do trabalho" vem diminuindo. "Nenhuma empresa está disposta a assumir o risco de ter um terceirizado informal, porque sabe que vai acabar pagando a conta. Com a terceirização melhor definida, a proteção do trabalhador tende a ser ampliada e as empresas terão segurança para organizar suas redes de produção. Isso implica maior competitividade e condições de investir mais", finaliza. |