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Serasa: 55% dos empresários manterão investimentos
10h18

SÃO PAULO - A crise financeira mundial está perdendo fôlego e o cenário econômico do país está melhorando. Com isso, 67% dos empresários do país estão revendo suas estimativas para terceiro trimestre deste ano. Apesar das revisões, a maioria (55%) afirma que manterá os investimentos nos patamares atuais.

Os dados fazem parte da Pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial, realizada na segunda quinzena de junho com 1.010 empresas em todo o país de todos os setores e portes.

De acordo com o levantamento, 22% dos empresários aumentarão os investimentos para o terceiro trimestre, ao passo que 6% farão cortes e outros 17% vão esperar outro momento para fazê-los.

A pesquisa ainda revelou que 44% dos empresários afirmaram que o faturamento registrado no segundo semestre ficou dentro do esperado, ao passo que 46% afirmaram que ficou abaixo e 10% acreditam que o faturamento ficou acima do esperado.

Investimento: setores
Segundo a pesquisa, empresas de todos os setores, portes e regiões pretendem manter os investimentos nos patamares registrados no segundo semestre deste ano, sendo que 34% das instituições financeiras e 28% do comércio ampliarão os investimentos.

Entre os empresários de empresas de pequeno porte, 23% afirmaram que investirão mais. Entre as empresas de médio porte, 21% delas ampliarão os investimentos.

Os empresários da região Norte se mostram mais otimistas, pois 34% deles esperam aumentar os investimentos no terceiro trimestre.

Revendo estimativas
Com a mudança no cenário, os empresários estão revendo suas estimativas de faturamento para o período. De acordo com a Serasa, 67% estão revendo as contas, sendo que 71% deles esperam uma aumento no faturamento.

Entre os setores, o comércio é o mais otimista, pois 79% farão uma revisão para cima. Os empresários do setor de serviços também esperam melhoras, já que 66% estão revendo as contas para cima. Entre os empresários do setor industrial, 64% farão revisão do faturamento para cima.

Já na análise regional, 91% dos empresários do Norte estão mais otimistas em relação ao faturamento de suas empresas no terceiro trimestre.

No Nordeste, 79% dos entrevistados aguardam o aumento do seu faturamento e 75% dos empresários do Centro-Oeste esperam melhora no faturamento. Nas regiões Sudeste e Sul, 69% e 66% dos empresários, respectivamente, farão revisão para cima do faturamento.

Por porte, o pequeno e o médio estão mais otimistas. De acordo com o levantamento, 73% das pequenas empresas farão uma revisão para cima do faturamento, enquanto que entre as médias empresas, 70% revisará as suas contas nesses sentido.

As empresas de grande porte, por outro lado, se mostram um pouco menos otimistas, já que apenas 56% dos empresários vão rever suas estimativas de faturamento para cima. Os demais (44%) vão rever o faturamento para baixo.

Selic
Com relação aos índices da taxa Selic, 52% das empresas dizem que a taxa irá cair no segundo trimestre.

A Indústria é o setor onde é maior a expectativa de queda do juro básico, com 65% dos entrevistados apontando nessa direção. Na sequência, está o Comércio, com 53% das respostas.

As médias e as grandes empresas estão mais otimistas na diminuição na Selic, com 59% e 58% das opiniões, nesta ordem.

Com relação às regiões, o Sul e o Sudeste são os mais convencidos em relação à redução da taxa básica de juro, com 56% e 53% das opiniões, respectivamente.

2º trimestre: expectativas se concretizaram
O faturamento registrado no segundo trimestre correspondeu às expectativas de 44% dos empresários. O número é menor se comparado com aqueles que apresentaram faturamento abaixo do esperado (46%) e daqueles que afirmaram que o faturamento ficou acima do esperado para o período (10%).

Entre os setores, o Comércio foi o que demonstrou melhor desempenho no segundo trimestre, já que 12% afirmaram que o faturamento ficou acima do esperado e 43% afirmaram que ficou dentro das expectativas. Ainda, assim, 45% declararam que o faturamento registrado ficou abaixo do esperado.

Na outra ponta, a Indústria foi o setor que demonstrou pior desempenho, já que apenas 9% dos empresários afirmaram que o faturamento superou as previsões e 52% declararam que o faturamento ficou abaixo do esperado. Para os outros 39% os ganhos ficaram dentro das previsões.

Na análise regional, os empresários da região Norte foram os que conseguiram alcançar melhores resultados. Isso porque, 14% deles registraram um faturamento acima do esperado no segundo trimestre. Na região Sudeste, esse resultado foi alcançado por 12% dos empresários, e na região Centro-Oeste, 9% das empresas apresentaram faturamento acima do esperado. Nas regiões Sul e Nordeste, os percentuais foram de 8% em cada região.

Analisando as empresas por porte, as médias foram as que conseguiram alcançar resultados acima dos esperado no segundo trimestre, pois 11% delas registraram faturamento acima do esperado, seguidas de perto pelas de pequeno porte (10%). Entre as empresas de grande porte, apenas 7% afirmaram que o faturamento ficou acima das previsões.

Crédito: sem tendência
Quando o assunto é crédito, não há uma tendência entre as opiniões dos empresários dos setores da Indústria, Comércio e Serviços. Isso porque 44% deles acreditam que as condições ficarão melhores no terceiro trimestre, ao passo que o mesmo número (44%) acredita que tais condições manterão o mesmo ritmo apresentado no segundo trimestre.

Apenas 12% deles acreditam que os limites, prazos e encargos ficarão piores. Entre os setores, Serviços é o mais otimista, pois 47% dos empresários aguardam melhora nas condições de crédito. Já entre os empresários da Indústria, 43% deles esperam melhora e 41% do Comércio também acredita que o crédito estará mais acessível no terceiro trimestre deste ano.

Considerando o porte das empresas, as de grande porte são as mais otimistas, pois 51% delas esperam melhora nas condições de crédito. Já na análise regional, os empresários do Norte são, novamente, os mais otimistas: 59% deles acreditam no crédito mais acessível no terceiro trimestre.

A região Sudeste vem em segundo lugar (45%), seguida das regiões Nordeste (43%), Sul (42%) e Centro-Oeste (37%).

Entre as instituições financeiras, o otimismo com relação a oferta de crédito é maior. Para 60% dos empresários do setor, a oferta de crédito para pessoa jurídica crescerá no terceiro trimestre. Para 31% essa oferta vai se manter nos níveis atuais e para os outros 9% vai recuar.

Com relação ao crédito para pessoa física, 73% dos empresários do setor aguardam uma oferta maior e para outros 22% essa oferta ficará no mesmo patamar do segundo trimestre. Já para 5% dos empresários, a oferta de crédito para pessoa física cairá no terceiro trimestre.

Emprego
Quando o assunto é emprego, 68% dos empresários manterão o atual quadro de funcionários e 21% pretendem aumentá-lo. Outros 11% vão reduzí-lo no terceiro trimestre.

Entre os setores, o setor bancário é o que mais deve expandir o quadro de funcionários, sendo que 31% deles pretendem abrir novas vagas de trabalho. Entre as regiões, o Norte também pretende empregar mais neste trimestre, já que 41% dos empresários afirmaram que ampliarão o quadro.

O levantamento ainda revelou que a maioria das empresas, de todos os setores, porte e região, manterão o quadro atual de funcionários.

Avaliação
Os indicadores da pesquisa mostram uma tendência positiva em vários pontos, apesar da cautela ser dominante, principalmente no que diz respeito aos investimentos.

A Serasa aponta alguns fatores para que o crescimento do otimismo entre os empresários, como o aumento do consumo, o retorno gradual do crédito acompanhado da redução dos juros, a ampliação da confiança do consumidor, além da valorização do real.

A pesquisa ainda aponta que a partir do 3º trimestre haverá uma melhora no mercado de trabalho, já que 21% das empresas pesquisadas pretendem ampliar o quadro de funcionários, contra 11% que pretendem reduzí-lo.

As expectativas de melhora nas condições de crédito para pessoa física deve contribuir para o crescimento do setor de varejo.

Sobre a pesquisa
O objetivo da Pesquisa Serasa Experian de Expectativa Empresarial é identificar as principais tendências da economia para o trimestre, a partir do levantamento das perspectivas dos empresários, indo além da confiança desses agentes.

Trata-se de um levantamento estatístico com uma amostra de mais de mil empresas representativas dos setores da indústria, comércio, serviços e instituições financeiras, dos portes pequeno, médio e grande e das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Assim, são divulgadas informações quantitativas de variáveis que captam as perspectivas das empresas sobre as condições macroeconômicas do país (PIB, taxa de juros e taxa de câmbio), os indicadores de emprego e renda (taxa de desemprego e renda média da população), a inadimplência e a oferta de crédito geral (grau de inadimplência da população, oferta de crédito na visão da indústria, comércio e serviço e oferta de crédito para pessoas física e jurídica, na visão das instituições financeiras) e os indicadores do negócio de cada empresa (faturamento e investimento).

Os resultados retratam a percepção das empresas sobre o ambiente econômico e podem antecipar eventos que de fato ocorrerão na economia. Foram obtidos a partir da média ponderada das respostas de cada empresa e consideram a maior proporção das respostas possíveis (crescimento, estabilidade e queda).
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