Temor de volta do IPI da linha branca fez atividade do comércio subir em outubro
09h16
SÃO PAULO - Temendo que as alíquotas do IPI dos produtos da linha branca voltassem aos patamares anteriores à redução concedida pelo governo, os consumidores correram às lojas para aproveitar o benefício e comprar produtos mais em conta. A alta procura desses itens em outubro foi a principal responsável pela alta de 7,1% da atividade do comércio varejista, frente ao mesmo mês de 2008, e de 1,3%, frente a setembro, depois de um crescimento nulo no nono mês do ano.
De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, divulgado nesta quinta-feira (5), o resultado de outubro foi atípico por ter sido influenciado pela expectativa de não prorrogação da redução do imposto para os eletrodomésticos, gerando antecipação na procura desses itens. Com isso, o segmento de Móveis, Eletroeletrônicos e Informática registrou alta de 12,2% na comparação anual e de 1,1% frente a setembro.
No fim das contas, o benefício foi prorrogado. Porém, não são esperadas quedas na procura de eletros. Ao contrário, o retorno das alíquotas fará, inclusive, com que o varejo se mantenha aquecido nos próximos meses.
Comércio Varejista
De acordo com a Serasa, a taxa anual (7,1%) é a maior taxa de crescimento nesta base comparativa desde dezembro de 2008, quando o crescimento da atividade varejista foi de 7,5% frente a dezembro de 2007. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, houve alta de 4,7%. O indicador considera as consultas registradas à base de dados da Serasa Experian de aproximadamente 6 mil empresas comerciais.
Ainda que o desempenho do setor de Móveis, Eletroeletrônicos e Informática tenha sido fator principal para o aumento do índice em geral, o segmento de Veículos, Motos e Peças registrou o maior aumento do período, de 20,4%. O primeiro segmento apresentou alta de 12,2%. Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios também influenciaram nos bons resultados em outubro, na comparação com outubro de 2008, com crescimento de 10,6%.
Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas também influenciou positivamente no período, devido ao incremento de 1,7%. Barraram o crescimento do índice os seguintes setores: Combustíveis e Lubrificantes (-3,2%) e, principalmente, Material de Construção (-18,2%).
Na análise mensal, Móveis, Eletroeletrônicos e Informática puxaram a alta, com incremento de 1,1%. Supermercados, Hipermercados, Alimentos e Bebidas e Tecidos, Vestuário, Calçados e Acessórios também influenciaram nos resultados, devido às altas de 0,4% e 0,7%, respectivamente.
No sentido contrário, na comparação entre outubro e setembro, os seguintes setores influenciaram o resultado negativamente: Combustíveis e Lubrificantes (-0,5%), Veículos, Motos e Peças (-0,9%) e, principalmente, Material de Construção (-1,9%)
Acumulado do ano
Passados dez meses de 2009, a atividade do comércio varejista no País acumula alta de 4,7%.
Neste mesmo período, o setor das lojas de Móveis, Eletroeletrônicos e Informática impulsionou o crescimento com alta de 10,3%, seguido pelo segmento de Veículos, Motos e Peças (4,4%); Tecidos, Vestuários, Calçados e Acessórios (4,1%); e Hipermercados, Supermercados e Varejo de Alimentos e Bebidas (1,4%).
Os segmentos de Combustíveis e Lubrificantes e Material de Construção, por sua vez, registraram quedas de 1,9% e de 14,8%, nesta ordem.
Sobre o índice
O indicador do Serasa tem como base o banco de dados da Serasa Experian. A partir da metodologia de cálculo do PIB, apresentada pelo IBGE em 2007, na qual o comércio passou a ser, individualmente, o setor com maior participação na geração do valor adicionado da economia brasileira, respondendo por 11%, a entidade percebeu que é de fundamental importância dispor de mais indicadores, destinados a mensurar a evolução deste setor da atividade econômica do País. |