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Esquizofrenia Criativa
Obcecado com a idéia de criar uma "sinfonia adolescente para Deus", o jovem Brian Wilson decidiu abandonar as praias, as garotas e as ondas que tanto cantava ao lado da sua banda Beach Boys e se trancafiou dentro de um estúdio naquele verão de 1966. Era a chance dele provar de uma vez por todas que poderia ser melhor do que aqueles inglesinhos metidos a gênios. Brian então experimentou de tudo - percussão feita apenas com vegetais, melodias que se transformavam a cada novo compasso, letras intrincadas que falavam sobre a expansão americana, ácido com maconha, mescalina com éter, rum com tranqüilizantes. E com a mesma facilidade que criou alguns dos mais fantásticos trechos de música que o mundo já havia ouvido, ele destruiu praticamente tudo em um dos seus freqüentes ataques de raiva.
Esse é Brian Wilson: visionário, recluso, competitivo, esquizofrênico, psicótico e, acima de tudo, o mais brilhante compositor que já existiu no pop norte-americano. Como líder dos Beach Boys, ele fez com que milhares de fãs compreendessem o que se passava em suas mentes e almas por meio da música. Só que Brian nunca conseguiu compreender a si mesmo. "Smile", o disco que sairia naquele conturbado ano de 1966, foi abandonado e se transformou em mito. Virou história - bem como Brian, que entrou em uma longa crise depressiva e teve de assistir aos Beatles serem coroados como os maiores nomes do mundo pop.
"Até dói no meu peito só de lembrar daqueles tempos", diz Brian, hoje com 63 anos. "Foram dias difíceis, sabe? É realmente dilacerante saber que seu melhor trabalho nunca foi mostrado ao público. Mas talvez tenha chegado a hora de reescrever essa história".
E o público brasileiro terá o privilégio de assistir, ao vivo, um dos capítulos desse épico. Brian Wilson se apresentará em São Paulo, dentro da programação do Tim Festival, com um repertório que mescla as canções do histórico "Pet Sounds" e o mítico "Smile". Esse banho musical acontecerá no palco Tim Stage, no dia 7 de novembro.
Antes da confirmação desse show, Brian falou com um espião da Radiola Urbana, da sua casa em Beverly Hills, na Califórnia, onde mora com sua mulher, Melinda, três filhos pequenos e 11 cachorros. É lá que ele e outros 21 músicos estão preparando o lançamento das maluquices geniais de "Smile", trinta e oito anos depois de o disco ter sido jogado fora. "Foi Melinda quem me deu forças para eu voltar a esse período da minha vida. Ela achou que fosse ser uma boa terapia", diz. "Chamei então o meu companheiro Van Dyke Parks [que escreveu as letras em 66] e agora estamos trabalhando de novo nas músicas. As pessoas vão finalmente ter a chance de ouvir o que se passava no meu coração."
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Esta matéria foi publicada originalmente no site Radiola Urbana.
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