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Quem tem groove tem tudo
Por Alê Duarte
Ao contrário do que os puristas pensam, o groove salvou o jazz nos anos 70.
O gênero sempre teve como principal característica a de englobar outros gêneros,
às vezes tão dispares que se tornaram misturas quase inimagináveis. Punk, soul,
mantras, bossa, tudo foi engolido pelo jazz e pela curiosidade abençoada de
seus representantes. Ainda assim, sempre foi forte a resistência que alguns
músicos sofreram por aproximarem-se de outros estilos. Sem perceber,
modernizavam a velha música norte-americana e abriam um campo de experimentações
que ainda é aproveitado por todo mundo que faz música.
O funk uniu-se ao jazz já em meados dos anos 60, embora o rastro disso possa
ser percebido lá para trás, quando o grande Jimmy Smith reinventou o órgão
e tornou popular o chamado soul-jazz. Afinal, se antes do funk precisou
aparecer o soul, antes do jazz-funk precisou aparecer o soul-jazz. Sempre
usando bases de blues para criar texturas mais suaves de improvisos em cima
das melodias surgidas, desde os boppers até à moderna música negra do final
dos anos 50 e começo dos 60 - ou seja, o soul de Ray Charles, James Brown e
Sam Cooke -, os organistas foram os principais personagens do desenvolvimento
desse novo jazz. É claro que pianistas como Horace Silver e Bobby Timmons,
entre outros, serviram de base para a criação desse groove jazzístico, mas
foi quando Smith entrou na parada que o ritmo pegou.
Os discos do final dos anos 50 gravados por Smith estão presos ao hard-bop.
Acompanhado de bandas numerosas que incluíam feras como Lee Morgan, Lou Donaldson,
Art Blakey e Kenny Burrel, apresentava canções do bep-bop, fortemente influenciadas
por Charlie Parker, com longos improvisos. Ainda assim são discos cheios de grooves
maravilhosos como "Cool Blues", "House Party" e "The Sermon" e já mostram raízes do
que Jimmy faria logo depois. Em 1960 aparece "Back At The Chicken Shack", gravado
apenas em quarteto, com Stanley Turrentine no sax tenor. O disco define de vez a
fórmula perfeita do groove no jazz, ou melhor, no soul-jazz.
Depois vieram vários outros belos trabalhos do músico, e os organistas começaram
a pipocar com ótimos discos. Seguindo o exemplo de Jimmy Smith, surgiram Richard
Groove Holmes, Big John Patton, Jimmy McGriffi, Jack McDuffy, Lonnie Smith e
Shirley Scott. Ao mesmo tempo, outros instrumentistas aproximavam o soul do jazz
e davam mais força à mistura dos estilos contemporâneos com o antigo gênero.
Cannonball Adderley, Lou Donaldson, Stanley Turrentine, Lee Morgan, Donald Byrd,
Grant Green eram os representantes mais significativos.
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#Alê Duarte também escreve na radiola urbana
Esta matéria foi publicada originalmente no site Radiola Urbana.
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