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Mad Professor, Um ser complexo
Por Pedro Strelkow
A paixão de uma criança por desmontar eletro-eletrônicos jamais seria um
indício de que um gênio da música eletrônica estaria por vir; exceto se
essa criança não fosse Neil Fraser. Nasceu na Guiana e ainda criança foi
parar em Londres. Fuçou muito em sintetizadores, teclados e multi-efeitos.
Somou isso com o dom que lhe foi dado e com a influência que teve das ruas
londrinas (naquela época a música jamaicana já tocava por lá, presente que
os imigrantes da Jamaica levaram na bagagem)
Uma mesa de quatro canais num quartinho da sua casa em Thornton Heath, no
sul de Londres, foi o começo de tudo. Abriu sua gravadora, a Ariwa Sounds
e lá gravou Debbie G.* em 1977. Debbie foi apenas a primeira de muitos
artistas que Fraser gravou no fim dos anos 70 e começo dos 80. Passaram
também por lá nomes como: U-Roy, Ranking Joe e Dennis Alcapone, Macka B,
Audrey, Aisha, Fabian Miranda, Rasheda, Trevor Hartley, Kofi, Sandra Cross,
John McLean e Carroll Thompson.
Como tinha nas mãos um arsenal de efeitos, foi muito fácil para ele encontrar
no Dancehall e principalmente no Dub um infinito campo onde poderia finalmente
desmonstrar seu poder bélico. Em 1982 gravou o LP Dub Me Crazy Part 1, junto
com quem viria a se tornar seu grande parceiro: Jah Shaka. Foi o início de um
ciclo que ainda não se fechou. (no ano de 91 lançou o volume 11!) Foi no Dub
também onde Mad Professor definitivamente produziu suas melhores faixas,
algumas com a parceria mais do que especial do gênio Lee Perry. Na minha
opinião, um dos encontros mais importantes e insanos do gênero.
Mad Professor foi além e viajou por outros gêneros, sempre com muito conforto.
Produziu e tocou com nomes que vão de Beastie Boys a Pato Banton. Um desses
encontros resultou num ótimo trabalho gravado em 1995 "No Protection - Massive
Attack Vs. Mad Professor" com os irmãos do Massive Attack. Outra boa parceria
foi com o Adrian Sherwood, que juntos criaram outro selo, o On-U-Sound,
responsável pelo lançamento de bandas como Dub Syndicate, New Age Steppers,
African Head Charge e Singers and Players.
No ano passado fomos contemplados com sua apresentação aqui no SESC Pompéia junto
com a banda que acompanha o Lee Perry lá fora. Tive o previlégio de assistir o
show do palco, de onde pude ver de perto os equipamentos que ele utiliza em suas
apresentações. É realmente impressionante como ele interage sintetizadores
arcaicos com aparelhos de última geração em busca de timbres únicos e originais.
Praticamente remonta seu estúdio no palco. Neste ano, Mad Professor veio pro
Brasil novamente, pra ajudar na produção do novo trabalho de Marcelinho da Lua,
lá do Rio. É bom saber que o relacionamento de Fraser com o Brasil está cada vez
melhor. Vamos esperar pra ver o que o "Professor" ensinou por lá…
#Pedro Strelkow também escreve no site na Orelha
Esta matéria foi publicada originalmente no site Na Orelha.
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