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Amarelo Manga na Big Apple

por Rodrigo Silveira

O crítico Ben Ratliff, do The New York Times, escreveu uma resenha elogiosa ao disco da trilha sonora do filme Amarelo Manga, publicada no dia 1 de dezembro de 2003.

Sob o título "A vibração universal da América do Sul", Ratliff aponta alguns lançamentos da música produzida hoje, abaixo da linha do equador. O crítico empolgou-se com a música feita em regiões diferentes do continente, mas com características universais.

Em sua resenha, Ratliff descreve uma maturação da sonoridade desenvolvida pela cena recifense, classificando-a de Pós-Mangue.

Leia abaixo a tradução da resenha

Amarelo Manga
Trilha Sonora Vários artistas
(INST/Ybrazil)

por Ben Ratliff

Contendo as canções e a música incidental ouvidas no recente filme brasileiro de Cláudio Assis, "Amarelo Manga: Trilha Sonora" (INST/Ybrazil) este disco funciona tanto como uma trilha de fundo instável, quanto um índice da fascinante "ceninha" de música pop. A cena em questão é a de Recife, capital de Pernambuco, estado nordestino brasileiro. Na metade dos anos 90, o instigante som novo daquela região foi chamado de Mangue Beat; uma eternidade - contada em "anos-pop" - passou-se desde então e a música de lá mudou o suficiente para esta trilha sonora oferecer um registro do progresso do que seria o pós-Mangue.

O que mudou é que os D.J.s e os produtores eletrônicos abriram a cena recifense, deixando uma marca profunda nas bandas instrumentais e em seus músicos. A batida se expandiu, tornou-se mais espaçosa e profunda; a velha agressividade do punk rock deu lugar `a influência do dub e do reggae. Resumindo: o Mangue Beat amadureceu e se tornou um dos melhores movimentos pops de que se têm notícia.

Algumas músicas da trilha sonora são fragmentadas - seja uma surf-guitar escorregadia com groove de reggae e "melodica", seja em uma peça curta e impressionante, um trio de "didjeridoo", guitarra metaleira cuspidora de fogo e batidas marciais. Os principais contribuidores do disco são Lúcio Maia e Jorge Du Peixe da Nação Zumbi, trabalhando com vários outros grupos e artistas. Há porém músicas inteiras e, também, muito próximas do que se poderia chamar de sensacionais. Fred 04, lider da Mundo Livre s/a, contribui com a adorável faixa "Lígia", tão boa quanto qualquer outra música produzida por ele junto a sua banda; sua voz arrastada, circulando irregularmente sobre o ritmo complementa a lenta e deslizante batida, com violões de nylon, orgão Hammond e samples curtos atravessando o fundo. E a própria Nação Zumbi, magnífica, aparece com uma faixa matadora, "Tempo Amarelo", com sua ruidosa trovoada de tambores.

Leia aqui a resenha original.

traduzido por Rodrigo Silveira e Keops Ferraz