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A TEORIA DA PICARETAGEM POSITIVA ou
DE COMO CHUCK D DO PUBLIC ENEMY FOI PARAR NO PALCO DO INSTITUTO NO ABC
por Rodrigo Brandão
Antes de mais nada, gostaria de partir do pressuposto de que ninguém, nesse
mundão, é santo. E que nem sempre os fins justificam os meios, mas que
certas oportunidades, a gente pega ou larga. Digo tudo isso porque confesso
que, apesar de não ter como hábito levar meus heróis (nem ninguém) pra
grupo, lancei mão do lendário jeitinho brasileiro no caso em questão. Mas
creio porém, que uma vez cientes de todo o ocorrido, os leitores hão de
optar por não condenar a conduta desse escriba. Posto isso, vamos aos fatos:
LUZ
Há quinze anos eu ouço Public Enemy. Como tenho trinta, posso afirmar que,
até agora, passei metade da minha vida tendo o som deles como trilha sonora
de vários rolês. Quando vieram tocar, só em São Paulo, em 91, ironicamente
eu morava no Rio (durante os únicos seis meses que fiquei lá!). Não me fiz
de rogado e, uma Dutra depois, minha vida foi marcada duma vez por todas. Em
plena Tour Of a Black Planet, o Inimigo Público tava no auge - não tinha pra
ninguém. Por essas e por outras, Chuck D é um dos meus super-heróis
prediletos.
CÂMERA
Na sexta feira, dia 7 de novembro de 2003, o Public Enemy tocou pela segunda
vez na cidade. Mas antes do show, durante a passagem de som, eu fui, junto
com os manos B-Negão e Rappin' Hood (aniversariante do dia) encontrar a
entidade MistaChuck, com a desculpa de gravar uma matéria pra MTV, agilizada
pela notória Gigantinha. Ali, falei pra ele que nos dois dias seguintes iria
rolar o festival Indie Hip Hop, com entrada gratuita, e que o Blackalicious
(com quem o P.E. excursionou recentemente) iria tocar. Na hora, a Lenda
pegou mó bem e falou que estava afim de trocar sua passagem de volta pra
casa e vazar no domingo, não no sábado, pra ver o show. Pensei comigo:
"Podicrê, ele foi simpaticão, mas num vai fazer todo esse malabarismo nem a
pau". E desencanei.
AÇÃO
Sabadão, dia 8, tipo 9 da noite. No palco do Sesc Santo André, o
Blackalicious estava na segunda metade dum set contagiante pá carái. As
1.100 pessoas presentes já se davam por contentes depois de ver a rapa do
Rhima Rhara, o apavoro dos gringos da banca do Dj Shadow, e saber que ainda
iria rolar o Instituto, encarregado de encerrar a noite.
A cena era essa quando o mano Oga (do Projeto Manada) cola na minha dizendo
que tinha um truta dele no hotel com o Chuck D e o Dj Lord, e que os caras
tavam na fita de chegar pra ver a banca da California, mas queriam saber se
dava tempo. Mesmo sabendo que o Blackalicious tava pra acabar, falei que
sim, eles iam ver boa parte do show, pra virem na certa (VÉCO 1). E
desencanei de novo.
O Instituto tava na terceira ou quarta música quando eu olho pra cima - e
não é que tá lá memo o próprio Rhyme Animal (como ele se intitula no
clássico "Bring The Noise")?!?!! Não botei uma fé.
2 segundos depois cola o Oga, de novo com boas notícias: o Homem queria
subir no palco pra uma aparição-relâmpago, pois tinha pirado na vibração
vigente. Rebati que o Sesc era rígido com horários, o que não permitiria uma
performance, mesmo que breve, além do programado (VÉCO 2), mas que caso ele
topasse, eu agilizaria deles fazerem uma participação com a Orquestra
Institutcional. Proposta feita, proposta aceita. Corri na boca do palco e
gritei o Ganja, que, claro, trincou geral.
Poucos minutos depois, o Kamau (mestre de cerimônia do Consequência, que
representa também o coletivo Instituto) chegou nos bastidores, pra onde a
gente já tinha conduzido o Inimigo, avisou que ia apresentá-lo e passaria o
microfone. Quando viu, a massa tava gritando, a banda tocando, Chuck D no
comando, e a casa já tinha caído.
# Rodrigo Brandão representa o Mamelo Sound System, a Zulu Nation, o
Instituto e o 3º Mundo
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