A coluna de hoje é uma daquelas em que não há um assunto único. Apenas, como se isso fosse pouco, um convite a reflexões acerca de determinados fatos.
Estréia na sexta-feira o filme “Carros”, dos estúdios Disney e Pixar. Como adiantamos na última sexta-feira, o DVD pirata do filme já está sendo vendido desde quinta passada em São Paulo por R$ 10 – “Dois é R$ 15”, disse a este repórter um ambulante (leia aqui). Quantas pessoas deixarão de assistir ao filme no cinema, onde se gasta bem mais e não se leva a obra para casa? Quantos produtores e artistas deixarão de ser contratados pela companhia em razão dos prejuízos causados pela pirataria? Quem vai pagar por isso?
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 O carro de corrida Relâmpago McQueen na pequena e pacata Radiator Springs
“Carros” conta a história de um jovem e arrogante carro de corrida, Relâmpago McQueen, que por acidente cai de Mack, o caminhão que o transporta a caminho da prova que decidirá com quem ficará a tão cobiçada Copa Pistão. Em um lugarzinho no meio do nada, chamado Radiator Springs, McQueen fica preso contra a sua vontade até cumprir o castigo de terminar a pavimentação de uma estrada. Lá é convidado a refletir (sim, você já leu isso acima) sobre o quanto a rodovia interestadual estrangulou cidadezinhas, culturas, jeitos de ser, relegando seus moradores ao abandono. Boa parte dos habitantes é formada por automóveis antigos – de um tempo em que as pessoas dirigiam não para ganhar tempo, mas para aproveitá-lo. Em uma cidade grande, que pára quase todo dia, isso não lhe diz nada?
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Ontem ouvi de novo uma frase que me causa calafrios. Estou produzindo uma reportagem (grande novidade, dirão alguns). Pedi alguns produtos para uma produção fotográfica – ao final eles seriam prontamente devolvidos. A responsável pela área de imprensa disparou: “A empresa não tem a política de fazer esse tipo de produção. Não vou poder ajudá-lo dessa vez”. Só para constar: ninguém está do outro lado do balcão para me ajudar, mas para ser parceiro no objetivo comum de informar o leitor. Quando faço uma solicitação, não estou pedindo nenhum favor. Simplesmente espero que a pessoa do outro lado da linha cumpra sua obrigação – o que infelizmente é exceção. Até entendo quando a inércia simplesmente tem razões comerciais. Mas, no caso, soou como pura má vontade.
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Leio nos jornais desta segunda-feira que um exame de DNA confirmou que a ossada encontrada pela polícia em Capão Redondo (zona sul de São Paulo) é mesmo do jornalista Ivandel Godinho, seqüestrado em 2003. Conheci Ivandel há quase 14 anos. Cobri ao lado dele e de sua mulher, Cristina, o Enduro da Independência de 1992, entre o Rio e Minas Gerais. Superprofissional (bem diferente da pessoa a quem dedico a nota anterior, ele era um exemplo de boa vontade), adorava o que fazia e foi merecidamente reconhecido por tal empenho. Revoltante, no entanto, é saber que foi escolhido vítima dentro de sua própria empresa justamente por ter alcançado o sucesso profissional. Só mesmo em um país de tanta violência e desigualdade social que êxito significa risco de vida.
Quero morar em Radiator Springs.
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