Quer saber? Foi ótimo o Brasil ter perdido da França na Copa do Mundo. Primeiro porque existe uma importância exagerada do futebol na vida dos brasileiros. Segundo porque esse ufanismo só prejudica. Na terça-feira, dia 27, simplesmente ninguém quis saber do batente. Como o jogo era às 12h (hora do Brasil), boa parte matou o trabalho de manhã e, para comemorar os 3 a 0 em Gana, aproveitou para emendar o dia inteiro. A derrota só nos fez relembrar o acertado complexo de vira-lata de que falou Nelson Rodrigues – e ajudou a nos colocar no devido lugar.
Já que o duelo foi contra a França, vamos tomá-la por base. De 1998 a 2006, intervalo entre as duas derrotas para o país de Zinedine Zidane, houve no Brasil uma verdadeira invasão francesa. No final do ano da convulsão de Ronaldo, a Renault inaugurou sua fábrica em São José dos Pinhais (PR). Desde então lá fabrica a minivan Scénic. Em novembro de 1999, lançou seu segundo modelo – o Clio, que teve o mérito de ser o primeiro veículo (1.0 por sinal) a vir com airbag duplo de série.
 Renault Clio, que na Europa está na terceira geração: diferente do feito aqui
No início de 2001, foi a vez de o grupo francês PSA Peugeot Citroën começar a fabricar automóveis em Porto Real (RJ). Lá é produzido o compacto Peugeot 206 e, mais recentemente, chegou a perua 206 SW. Na mesma época começou a sair de lá a minivan Picasso (hoje líder de mercado) e, em abril de 2003, o “compacto premium” C3, um veículo estupendo, superequipado e de longe o mais gostoso de dirigir de sua categoria – dignos de nota são o baixo nível de ruído do motor e a direção elétrica.
 Peugeot 207: lá o 206 continua à venda, em versão, digamos, "Special"
De todos esses modelos, apenas os da Citroën e a Peugeot SW continuam sintonizados com o que existe na França. Não é preciso (embora seja agradabilíssimo) ir a Paris para conferir. Basta entrar no site francês de Peugeot e Renault. O Peugeot 206 francês continua à venda, mas é, digamos o “Special”, “Smart”, “Street” etc. deles. Renault Clio e Scénic foram reformulados aqui, mas estão longe da transformação européia. A razão? Falta de escala, mercado pequeno, baixa rentabilidade. Enfim, somos pobres, vira-latas. Sim, não é só no futebol que perdemos para a França.
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