Os últimos 16 anos dos 50 recém-completados pela indústria automobilística brasileira foram os mais frenéticos. Vivemos a abertura das importações do início dos anos 90, a era pré-internet em que se formavam pequenas multidões de curiosos em torno de novos modelos pelas ruas e até o nascimento dos “populares” (assim, com aspas, porque de populares mesmo sempre só tiveram o nome), os famosos carros “mil”. A importação sacudiu os fabricantes nacionais, que procuraram oferecer produtos melhores para competir com os que vinham de fora.
Parece que foi ontem. Havia modelos para a época bastante curiosos – dos que dirigi, lembro pelo menos dois, o Suzuki Swift e o Honda CRX – que sumiram na poeira do dólar flutuante do final dos 90. Nesse meio tempo, com 15 anos de atraso em relação à Alemanha, o Brasil conheceu o airbag – sim, o primeiro modelo nacional a tê-lo foi o Fiat Tipo, em 1996. Dois anos antes causava torcicolos nas ruas um nacional de design muito avançado para a época, um certo Chevrolet Corsa, também apelidado Ovo Kinder. Fazia frente à “botinha ortopédica”, apelido do decano Fiat Mille, ex-Uno.
Logo viria o Palio, com seu conceito de carro mundial. Era o primeiro ano de uso comercial da internet. Não por acaso, todos tinham acesso a sites de fabricantes fora do país. As novidades outrora distantes passaram a estar a um clique. Até pouco tempo antes, havia modelos que ficavam décadas em linha – o que dizer do Opala, por exemplo, que viveu o final dos anos 60, atravessou os 70 e 80 e adentrou os 90? Hoje os modelos têm de ser reformulados a cada dois ou três anos. Do contrário envelhecem...
O mercado nacional parece viver de ondas. No primeiro ano deste século, foi a vez das minivans – Renault Scénic, Chevrolet Zafira e Citroën Picasso. A partir de 2002 vieram os “compactos premium” – Volkswagen Polo, Ford Fiesta, Citroën C3. A bola da vez agora responde pelo nome de sedãs médios. Sim, esses modelos com porta-malas avantajado. Os próximos lances prometem. No final deste mês, chega às autorizadas Peugeot o 307 Sedan. No próximo, o Volkswagen Jetta. Unem-se à trupe de Renault Mégane, Chevrolet Vectra, Ford Fusion e Honda Civic. Haja novidade.
Dados da Fenabrave (a associação das distribuidoras) indicam que o Vectra segue na dianteira (19.256 unidades vendidas no acumulado do ano), ameaçado pelo Toyota Corolla (18.468), que tem vendido mais, que por sua vez é ameaçado pelo novo Civic (15.308), que tem vendido mais que os dois primeiros. Quem entrou muito bem nesse mercado, apesar de ser mais caro, foi o Fusion – se a Ford esperava vender mil por mês, só em julho registrou a saída de 1.305. A decepção é o Mégane, ainda na casa das 500 unidades.
No meio de tantas novidades, quem vai rir por último? E qual será a próxima onda?
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