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ARTIGO
AUTOGIRO
O mercado foi ao inferno e voltou
Apertada agenda de lançamentos esconde um 2006 repleto de símbolos para o setor
por LUÍS PEREZ

Salão do Automóvel de São Paulo - 19 a 29 de outubro de 2006Após um longo período sem tirar férias (não gosto muito desse negócio, não), quatro anos atrás me dei ao luxo de deixar o trabalho de lado durante quatro meses seguidos. Mandei-me para a Europa para estudar inglês e francês. Do outro lado do Atlântico, escrevia alguns artigos abordando a falta de sintonia entre os mercados europeu e brasileiro (se for assinante do UOL, leia um deles aqui). Andávamos mal-acostumados pelos “newcomers” que chegaram no embalo do real valorizado.

De 1997 a 2002, instalaram-se aqui para fabricar automóveis de passeio marcas como Audi, Citroën, Honda, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Nissan, Peugeot, Renault e Toyota. Lá na Europa cheguei a pagar R$ 3,78 pelo euro, resultado da tensão pré-eleitoral que levou Lula ao Planalto. A coisa já não vinha bem desde o baque do dólar flutuante, no início de 1999. O ano de 2002, ainda sob o impacto do 11 de Setembro, era o prenúncio de um 2003 que seria muito, muito duro.

Marcas como Audi e Mercedes-Benz saíram de cena, e a Renault, que chegou a beliscar os calcanhares de uma apática Ford na virada do século, anda meio sem ânimo. Fora isso, o mercado se recuperou, bateu recordes históricos e este ano deve ser o melhor de todos os tempos, tanto para o mercado interno quanto para as exportações. Pode-se dizer que o mercado foi ao inferno e voltou. Esse clima de euforia contamina um ano repleto de simbologia e marcos às vezes pouco percebidos pela correria da apertada agenda de lançamentos.

Enquanto escrevo esta coluna, por exemplo, a Kia lança em Itu (SP) o compacto Picanto. No fim da semana, é a vez de a Audi apresentar o A3 Sportback e o utilitário esportivo Q7. Setembro começa com a Fiat Idea Adventure, passa pelo Citroën C4 e termina com a Peugeot 206 SW Escapade (leia aqui), cuja apresentação para a imprensa especializada está prevista para 20 e 21 de setembro. Há muitas outras atrações reservadas. Algumas são segredos que as marcas guardam para o salão. Outras se revelam da próxima semana em diante.

Voltando alguns meses no tempo, mais precisamente para o início de maio, vale lembrar que este foi o ano do primeiro “salão do automóvel dinâmico”, o Quatro Rodas Experience – e não posso deixar de citar um marco simplesmente porque se trata de um veículo de comunicação. Nele as pessoas podiam não só ver os carros de sonho como andar neles em Interlagos. Na época do salão, São Paulo ainda sediará o GP Brasil de Fórmula 1, que mais uma vez pode decidir o Mundial de Pilotos. Sim, 2006 foi o ano dos 50 anos da posse de Juscelino Kubitschek, bodas de ouro também da indústria automobilística nacional. Foi um ano cheio (foi porque está entrando nos últimos 123 dias) e até por isso passou rápido demais. Como as inovações tecnológicas que surgiram nesse meio século. Difícil imaginar o que virá.

PS – Em vez da cabotina foto deste colunista, o início deste texto traz um selo que ajudará o leitor a identificar reportagens e artigos que tenham relação com o Salão do Automóvel de São Paulo. O mesmo procedimento será adotado no Salão de Paris e em outras coberturas especiais.

Publicado em 30/08/2006

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