Quando começou a ser elaborado, Interpress Motor ganhou esse nome (e nenhum outro que levasse simplesmente a palavra carro) porque, antes de tudo, deveria se tratar de um veículo que abordaria tecnologia da mobilidade. Longe de se tornar uma publicação meramente técnica, a idéia era realizar também reportagens que abordassem o universo do motor também do ponto de vista comportamental.
Resolvemos falar sobre aviação primeiro porque tem a ver com esse ponto de partida, a capacidade de a humanidade desbravar mais rapidamente pontos longínquos do planeta (assim como ocorre com automóvel, ônibus e caminhão) e sobretudo do Brasil, dadas as suas dimensões. Mas também em razão da experiência deste repórter de três anos na área, como colaborador e depois editor de uma revista segmentada – como tal, já passei 14 horas ininterruptas num Boeing da Gol e já viajei inclusive na cabine de comando de um Legacy da Embraer.
Não é difícil aprender a gostar de avião e ser fascinado por essa invenção fantástica. Da mesma forma, adquirir segurança a bordo de aeronaves, cada vez mais modernas e cheias de recursos, não demora muito. Em que pese o reduzido espaço a bordo dos aviões comerciais, voar está mais confortável e, nunca é demais lembrar, mais seguro. É possível afirmar, sem medo de errar, que o acidente entre o Boeing 737-800 da Gol e o Embraer Legacy 600 não tem paralelo na aviação mundial. O primeiro é moderníssimo, tinha pouco mais de duas semanas de uso (o que é nada não só na aviação, mas também no universo automotivo), enquanto o Legacy havia simplesmente acabado de sair da fábrica.
Não é à toa que terroristas matam com carros-bomba. E que os protagonistas do 11 de Setembro tenham escolhido aviões para explodir as torres gêmeas. São símbolos inegáveis da conquista de liberdade, do exercício do poder humano para explorar o mundo e desbravar regiões tão ou até mais inacessíveis quanto a floresta em que caiu o Boeing da Gol.
Quem é fascinado por carros e aviões, no fundo, é fascinado pelas conquistas da humanidade, da ciência, do histórico espírito dos navegadores ibéricos do século 15. Quem opera essas máquinas ultramodernas (e olha que se passou apenas um século de sua invenção) confia piamente nelas. Pudera: está provado que falhas mecânicas são muito mais raras do que humanas. Sem falar no seu mau uso (parece ser o caso do Legacy). Ou no seu uso para o mal (caso dos Boeing jogados no World Trade Center em 2001).
|