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ARTIGO
AUTOGIRO
Comercial de TV também passa por recall
Renault troca filme para mostrar Mégane; iguana da Fiat não tem mais fim trágico
por LUÍS PEREZ

DivulgaçãoUm amigo que colabora com outro site automotivo costuma repetir a frase: “God save the internet” (Deus salve a internet). Sim, porque nós dois, oriundos de jornais e revistas (o que alguns costumam de forma redundante definir como “imprensa escrita”), nos acostumamos a lamentar, ao final de um dia duro de trabalho, com a frase: “Mais uma batalha perdida”. No dia seguinte é que costumamos nos dar conta das bobagens que deixamos passar e das informações que deixamos de atualizar nas poucas horas que separam a impressão na gráfica da soleira do assinante ou do varal da banca, no caso do jornal. Na internet isso não acontece. É só colocar um dado inexato que chovem e-mails na caixa postal. Podemos então corrigir imediatamente o erro, na própria página.

Há quem diga que a diferença entre um filme e uma telenovela, além da óbvia densidade cultural, de dramaturgia etc. (discussão que pode ficar para outra vez) é que esta última é uma “obra aberta”. Ou seja, o papel de um personagem pode crescer ao sabor da audiência ou de pesquisas com o público.

Nesta época eleitoral é moda repetir clichês do tipo: 1) Pesquisa é a fotografia de um momento. Ou 2) A maior pesquisa é a do dia da eleição. No universo automotivo, por mais clínicas (sim, é esse o nome) que se façam de um veículo antes do lançamento, sua prova de fogo será mesmo nas lojas. Bem ou mal comparando, é como simular em um laboratório da fábrica as mais adversas condições de rodagem – dificilmente o grau de crueldade das péssimas condições dos pisos a que a suspensão do carro será submetida vai ser reproduzido fielmente.

Como no horário eleitoral, a propaganda nada gratuita dos automóveis ajuda a vendê-lo. Por conta da observação mais ou menos atenta, notei nos últimos tempos que dois filmes na TV passaram por modificações. Na verdade um deles foi completamente substituído. Como em time que está perdendo se mexe, a Renault trocou o comercial do Mégane, carro que chegou fazendo alarde, mas que tem vendido nos últimos meses pouco mais de 500 unidades mensais, enquanto alguns de seus concorrentes vendem até seis vezes isso.

Em vez de um carro saindo da garagem e várias pessoas na rua se atirando dentro dele numa cena entre o surreal e o inverossímil, agora é um garoto devidamente acomodado no banco traseiro (com a educação que se vê, criança no banco de trás é outra cena quase igualmente inverossímil) que fala sobre as vantagens racionais do modelo, a começar pelo cartão que faz as vezes de chave e pelo botão de partida. Termina com uma piada: o menino quer saber do pai se o carro tem tudo aquilo mesmo para ele poder fazer inveja ao novo namorado da mamãe. Sim, porque famílias tradicionais com pais e filhos juntos parecem ser tão ultrapassadas quanto o carburador. Soam absurdas até em comerciais de TV.

Outro filme que sofreu ligeira edição (recall, talvez?) foi o da minivan Fiat Idea Adventure, em que a iguana gigante invade a cidade, e os dois meninos, hoje crescidos, aparecem em flashback. A cena suprimida é aquela em que o malvado – que ao crescer é engolido pelo monstro – joga a pequenina iguana no vaso sanitário. Terá havido reclamações de entidades que protegem os animais, sob a afirmação de que a cena estaria estimulando tal crueldade? Não sei.

O que parece já ter sido comprovado (e portanto virado “case” em cursos de publicidade e marketing por aí) é que nem sempre o filme premiado vende o produto. Não é uma boa idéia. Afinal, quem anuncia – e gasta, ou melhor, investe, nem sempre bem, é verdade, sua verba publicitária – paga a conta e quer retorno. Nos anos 90 havia um comercial em que o menino saía do cinema e revelava a todos os que estavam na fila o final do filme. Eu me lembro muito bem desse comercial. Só não tenho a mínima idéia de que produto (marca então, nem pensar!) era anunciado.


PS – Gostaria de agradecer aos leitores de Interpress Motor pela audiência conquistada até aqui. O site, que nasceu em 12 de junho, registrou só em setembro 1.440.215 acessos (em média 48 mil por dia), com aproximadamente 150 mil usuários únicos. Não é pouco, sobretudo se levarmos em conta que é só o começo. Acabamos de implantar ainda boletim semanal, sistema de busca, RSS e download da apresentação do site. Pode ter certeza, caro leitor, de que não paramos de quebrar a cabeça, todos os dias, para encontrar outras formas de melhorar o produto. Tenha certeza de que a sua participação é fundamental para isso.

Publicado em 12/10/2006

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