O sentido do feriado desta quinta-feira é homenagear os entes queridos que não estão mais entre nós. Se tratássemos de transferir esse raciocínio para o mundo dos automóveis, não faltariam neste ano modelos e versões a ser homenageados – a começar pela motorização a gasolina de várias marcas, que hoje assistem a uma escalada do mercado dos flex, que já bate nos 80% e tende a crescer ainda mais. Logo no início do ano disseram adeus à linha de montagem o Chevrolet Celta 1.0 a gasolina e o Peugeot 206 1.4 movido pelo mesmo combustível. O mesmo aconteceu com o 206 1.0, finado quando a marca de origem francesa resolveu vender o 1.4 Flex a preço de 1.0. Bem, se eu enumerar as versões a gasolina cujo ocaso ocorreu neste último ano, lá se vai a coluna inteira.
Mas, por falar em francês, perdemos neste ano também o Renault Laguna, que no ano passado vendeu apenas 21 unidades (sim, assassinado pelo público). Já que o assunto é sedã, o japonês Mitsubishi Galant também deu adeus ao mercado durante este ano. Tudo bem, talvez não faça muita falta. Afinal, é possível contar nos dedos de uma só mão quantos foram vendidos apenas no primeiro semestre.
Da mesma marca saiu à francesa a picape L200 Sport – sim, deu lugar à versão Outdoor. Ainda no mundo do fora-de-estrada, quem “passou para o andar de cima” (sempre achei horrorosa essa expressão) foi a perua Audi Allroad, que deixou de ser importada ainda no início do ano. Mais ou menos na mesma época, a Ford resolveu aposentar o velho motorzinho 1.0 Supercharger – aquele, que a Volkswagen disse que mais parecia um compressor de geladeira.

 O Santana (no alto), extinto após 22 anos; o A3 (acima) teve fim em agosto
Na galeria de finados ilustres, não poderia deixar de figurar o Audi A3 brasileiro, que deu seu último suspiro no dia 31 de agosto deste ano, deixando uma legião de seguidores. Feito sobre a mesma plataforma do Golf, o Brasil chegou a ser um dos países que vendiam mais A3 em relação a Golf no mundo. É uma pena que o mercado nacional não seja evoluído o bastante para justificar sua renovação.
Mas talvez nenhum fim de linha do ano tenha sido tão significativo quanto o do Santana, em maio. Alegria dos taxistas nos últimos tempos, ele sobreviveu por longos 22 anos. Chegou a ser sinal de status e a ter versão custando US$ 50 mil (a Executive, no início de seu ciclo de vida, para usar um jargão de marqueteiro).
Minha mãe, nos idos dos anos 80 que hoje viraram ícone de uma geração, dizia, animada: “Seu pai vai comprar um Santana!” Fomos atropelados por vacas magras, por Collor e pelos importados (vale lembrar que a última geração do Santana chegou em 1991; foi o primeiro automóvel nacional a vir com sistema antitravamento ABS nos freios). Meu pai nunca teve um Santana.
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