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ARTIGO
AUTOGIRO
A calçada assassina
Conservação do meio-fio, bem como dos automóveis, diz muito sobre cidadania
por LUÍS PEREZ

DivulgaçãoÉ senso comum que uma cidade é tão civilizada quanto mais bem cuidadas forem suas calçadas. A sedentária vida diante do computador me motivou a, no último domingo, sair a caminhar. Solene, ligo até o cronômetro, para me certificar de que não será nada assim tão amador... Apenas 15 minutos de marcha, e o pior acontece: uma calçada esburacada e uma pedra solta são suficientes para me fazer “voar”, torcendo o tornozelo esquerdo já cronicamente combalido por um jogo de bola nove anos atrás e ralando joelho e palma da mão direitos. Se a dor do impacto (agravada pela aspereza da calçada) e da torção não são pequenos, pelo menos é amenizada pelo fato de ser domingo – e o vexame que é desabar de uma forma tão pouco prosaica do nada, no meio da calçada, não foi presenciado lá por muita gente. Passo boa parte da tarde no hospital, vendo pela TV o time do São Paulo (antes que perguntem, não torço por clube nenhum) empatar o jogo e ser campeão brasileiro.

Começo a me lembrar de notícias que já li por aí, segundo as quais sendo a calçada responsabilidade do proprietário do imóvel em frente, posso processá-lo pelos danos causados pelo acidente que sofri. Fazendo um paralelo, não sei se o leitor já reparou, mas há uma relação direta entre má conservação de um veículo – ou a instalação de uma série de equipamentos perigosos para pedestres e outros motoristas – com flagrante desrespeito às leis de trânsito.

Já vi isso em outras cidades do mundo. O dono de um carro velho, caindo aos pedaços, ambulante ameaça de tétano, na maior parte das vezes é o mesmo que faz conversão proibida, pára sobre a faixa de pedestres e avança o sinal vermelho. Não é preconceito. É um dado empírico! Se a fiscalização funcionasse, muitos acidentes poderiam ser evitados. Inclusive o meu, tivesse um agente público tocado a campainha do imóvel em frente à calçada assassina.

Sendo Interpress Motor uma revista eletrônica do mundo da mobilidade, devo assinalar que pelo menos esse acidente me proporcionou uma experiência inédita: a de dirigir em um supermercado um daqueles carrinhos elétricos destinados a pessoas com problemas de locomoção. Vale o registro: o supermercado Sonda da Barra Funda (zona oeste de São Paulo) tem equipamentos bem adequados a pessoas com esse tipo de problema. Não deixa de ser divertido sentir o ventinho no rosto ao acelerar e fazer curvas entre as gôndolas.


PS - A partir desta semana, a Interpress entra em uma nova fase. O conteúdo deste site alimentará o jornal “Destak”, primeiro diário gratuito de grande porte brasileiro, distribuído a um leitorado “premium” de São Paulo. São 200 mil exemplares (tiragem auditada pela BDO Trevisan) e 4,8 leitores por exemplar, segundo pesquisa do instituto Ipsos. Ou seja, praticamente 1 milhão de leitores por dia, que se somam a uma audiência nada desprezível (Interpress Motor registrou em outubro 2 milhões de acessos). Mais detalhes serão divulgados nesta quarta-feira.

Publicado em 21/11/2006

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