Não acho que vá ser difícil encontrar leitores que se identifiquem com alguns fatos que vou relatar aqui. Mas parece que basta sair de carro em uma grande cidade como São Paulo ou Rio para viver flagrantes desrespeitos não apenas às leis de trânsito, mas às de cidadania. É fim de ano, e a quantidade de automóveis nas ruas faz o trânsito se complicar ainda mais. Dá a impressão de que a cidade é inundada de motoristas ineptos que fazem barbaridades e, caso tenham a atenção chamada, ainda gritam, xingam e tentam assim fazer valer sua “razão”.
Exemplo mais recente que me ocorre foi dia desses, em São Paulo, descendo a rua da Consolação sentido centro. Pouco antes da praça Roosevelt, as faixas da direita devem ser usadas, obrigatoriamente, por veículos que farão a conversão à direita para seguir à zona leste (ou à avenida 23 de Maio). O túnel que dá acesso à ligação tem duas faixas. Meu carro estava na da esquerda e bastava o veículo da da direita seguir sua trajetória normal – e obrigatória – para que fizéssemos a conversão à direita.
Na hora de virar, no entanto, o motorista da velha Belina caindo aos pedaços seguiu reto. Resultado: quase bati. Quando notou que meu carro iria em sua direção, abriu o vidro, começou a gritar e a fazer gestos obscenos. Ora, qualquer pessoa civilizada não teria dúvidas na hora de dar razão a um ou a outro motorista. Ele estava em uma faixa de conversão obrigatória e, no entanto, não iria fazê-la. Tentou ganhar “no grito” a razão pela barbaridade que estava fazendo.
Fosse esse um fato isolado, punido com uma bela multa, seria ótimo. Mas não é o que acontece. Vejo todos os dias conversões absurdas, veículos em alta velocidade na contramão (até na marginal Tietê já vi tal cena bizarra) e até pedestres incautos aparecendo do nada na frente dos carros – depois os motoristas são sempre os maus dessa história toda. O que dizer então de alguns motociclistas, que, na dúvida, chutam seu automóvel? Bem, esse é um capítulo à parte...
Esta seria apenas mais uma coluna de protesto contra pessoas que não deveriam sair às ruas, não fosse uma outra constatação não muito mirabolante: quantas pessoas inocentes não morrem todos os dias por conta desses vândalos do trânsito?
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