Assim se fecha um ciclo. É com esse espírito que a Volkswagen encara a chegada, no final do próximo mês, do Golf 2008. O modelo foi apresentado à imprensa na quinta-feira, dia 1º, sem que se permitissem registros de imagem. A abertura dessa fase havia sido o lançamento do Fox, em outubro de 2003. Desenhado por brasileiros para agradar sobretudo ao gosto local, o desafio no caso do médio da marca alemã era melhorar um produto de alta aceitação. Ou seja, o ponto de partida já não era nada modesto. “A quarta geração do carro é o estado da arte em termos de proporção, poder e confiança na marca. Onde começar a modificar essa estrutura, que é algo nobre?”, pergunta Gerson Barone, gerente de design.
Segundo ele, o Golf – cujo formato lembra a extremidade de um taco de golfe – precisava transmitir uma imagem de força e equilíbrio e ao mesmo tempo funcionalidade e precisão, traços marcantes da mecânica alemã. Quem dirige esse carro, cuja esportividade é uma das marcas registradas (mesmo nas menos potentes versões 1.6), são pessoas de espírito jovem, que buscam status e sofisticação. Eis por que o modelo mudou muito pouco no interior, o “lounge” do veículo. É um automóvel que “veste” extremamente bem – e mexer demais nessa característica é um risco tão alto quanto desnecessário.
Ainda assim, detalhes como a padronagem dos bancos, que ganharam dois tons, um mais claro e outro mais escuro, foram modificados (leia-se melhorados). A versão GTI recebeu uma iluminação branca no painel, que fica ligeiramente azulada ao escurecer. Nas demais foi mantida a atual, em que predominam azul e vermelho.
Barone diz que uma de suas diversões é ver as projeções que a imprensa especializada publica antes do lançamento oficial. São desenhos que misturam características de vários modelos para tentar chegar perto do que deverá ser o novo Golf. Muitas dessas projeções até que ficaram quentes (leia aqui). Mas a maioria subestimou a ousadia aplicada à dianteira. Com os faróis mais deslocados para as extremidades, a frente intensificou sua cara de mau, com a grade proeminente e uma espécie de asa sob o formato em “V” característico dos últimos VW.
Obviamente foram incorporados elementos de outros modelos. Entre eles, o sutil logotipo “VW” no interior do farol, já presente, por exemplo, no Polo. Uma boa novidade, que proporciona segurança: as luzes indicadoras de seta agora vêm integradas aos retrovisores externos. É, por sinal, uma tendência que se observa desde o Honda Fit 2007 até o Fiat Idea Adventure, lançado em setembro.
A traseira do novo Golf é o que há. Os vidros avançaram sobre a lataria nas laterais, criando um efeito chamado pela fabricante de “wide screen”, com lanternas com elementos circulares que incorporam a identidade visual do Passat, do Jetta e do SpaceFox. Pára-choque e desenho das lanternas são inspirados, de acordo com Barone, nas asas e nas turbinas de jatos de caça, respectivamente. Visto lateralmente o modelo mudou mais do que se costuma esperar de reestilizações. Está aliás mais “pontudo” (ou fluido) na frente e mais arredondado na traseira. O desenho da maçaneta de abertura do porta-malas lembra a da versão hatchback do Peugeot 307 (só que com espaço para a chave).
Antes de escrever este texto, tratei de dar uma refrescada na memória e naveguei por sites europeus para me lembrar da “cara” do Golf alemão. Não é exagero afirmar que a proposta de acertar em cheio o gosto do consumidor brasileiro deve dar mesmo certo. Arisco-me a dizer que o carro ficou inclusive mais bonito do que o europeu. Se cabe uma crítica, é à demora para chegar. Mas ao menos vem sem as desvantagens de ser pioneiro. Pelo que nós, jornalistas, vimos, tudo leva a crer que a espera terá valido a pena.
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