Uma das seções do site Interpress Motor que mais fazem sucesso atualmente é a “Test-dream”. Vou aproveitar para falar um pouco dela hoje. Em primeiro lugar, já fui alertado duas vezes por importantes figuras do jornalismo automotivo de que o correspondente em inglês a “teste dos sonhos” seria “Dream test” e não “Test-dream”. Mas (quem me conhece sabe), entre o correto e o trocadilho, fico sempre com o segundo. “Test-dream” é uma brincadeira com test-drive.
Outro dia, o grande Paulo Sergio Kakinoff, diretor de vendas e marketing da Volkswagen, ao ler o “Test-dream” feito com o leitor Francisco Gyurkovits Junior, que realizou o sonho de dirigir o novo Passat, me escreveu perguntando se esse tipo de reportagem era realizado freqüentemente por órgãos de imprensa e se a idéia de criar a seção havia sido minha.
Bem, sinto admitir que a idéia não é minha. Que eu saiba, ela era feita há alguns anos na TV, pelo “Programa do Carro”, produção da Matel. Realizei esse tipo de reportagem para a “Oficina Mecânica” (Sisal editora) durante alguns meses em que colaborei com a publicação a convite do grande jornalista (desta vez no sentido figurado) Eduardo Pincigher, então redator-chefe da revista. Como acho que é melhor copiar uma boa idéia do que criar uma idéia ruim (melhor de tudo é criar uma boa, mas isso já é outra história), tratei de repetir a dose no site.
Pois não é que havia muito tempo que eu não vivia uma situação como a criada pelo “Test-dream” do Francisco!? Rato de internet, costumo responder e-mails em pouquíssimos minutos. Acho que não responder a e-mails diz muito sobre o caráter (ou a falta dele) em uma pessoa. A publicação da reportagem com o Passat provocou uma avalanche de e-mails pelo nosso Fale Conosco que até hoje não consegui responder. Gostaria apenas de fazer considerações a respeito de alguns e-mails que recebo. Sendo a sede de Interpress Motor em São Paulo, obviamente que fazer um “Test-dream” em outro lugar pode até ter uma logística mais complicada, mas está longe de ser impossível.
Mas o que mais incomoda a nós, na Redação, é o seguinte: um “teste dos sonhos” pressupõe um sonho concreto. Realizá-lo para o leitor significa transportá-lo para uma determinada época, relacionar determinados fatos de sua vida com a emoção de estar ao volante daquele carro ou simplesmente atender a um desejo ainda que sem origem definida. Ou seja, e-mails que digam “qualquer carro potente” ou “qualquer carro da marca X, Y ou Z” ou que repitam o automóvel que acabou de sair não são os que mais nos empolgam. A garota que queríamos namorar no tempo do ginásio não era “qualquer loira da 5ª série C”. Ou era? Portanto, envie e-mails com um desejo específico. É mais difícil conseguir o carro? Até é. Mas responda se, quando conseguimos, o gostinho não é muito melhor?
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