Lançada há quatro anos no Volkswagen Gol 1.6, a tecnologia “flex fuel” chega em breve a pelo menos mais quatro modelos: Ford Focus, Toyota Corolla e sua versão perua, a Fielder, e Mitsubishi Pajero TR4. O que parecia uma moda dá sinais de que veio mesmo para ficar, ainda mais agora, que já se fala em equipar motocicletas com motor multicombustível – a tecnologia foi apresentada nesta semana pela Delphi.
Na média anual, o percentual de automóveis flex vendidos chega a 83%. Apenas 12,9% dos veículos novos são movidos a gasolina e há ainda um pequeno percentual (4,1%) de modelos diesel. Ouço aqui e ali comentários de que nunca estivemos tão próximos de liberar o diesel para carros de passeio – algo que, como jabuticaba, só existe no Brasil. Duvido. Ouço essa história há anos...
Minha incredulidade, no entanto, acaba sendo varrida pela onda do novo, que sempre vem. Tempos atrás achava inacreditável que o sistema unificado de processamento de multas de trânsito funcionasse entre Estados. Aí está ele, firme e forte, multando quem comete infrações distante da cidade onde o veículo foi licenciado. Também achava que os navegadores seriam uma realidade no país só em um futuro distante. Aí estão diversas opções (algumas bem chinfrins travestidas de marcas até bastante famosas, é verdade), concorrendo a ponto de os preços até baixarem – de uns R$ 2.000 para R$ 1.800. A tendência é cair ainda mais.
Ter um carro moderno mudou muito nos últimos cinco anos. Se no início dos 90 o que identificava um mauricinho era o toca-fitas de gaveta sobre a mesa do barzinho, eis que estamos na era do MP3. Um carro moderno é flex, tem navegador, conexão para iPod, sensor de estacionamento, de chuva, de luminosidade e, se o motorista bobear, é multado longe de casa. Isso tudo aconteceu nos últimos quatro anos. O que virá pela frente?
Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.
è Leia aqui a coluna anterior: "Eu não sou cachorro louco, não..."
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