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ARTIGO
AUTOGIRO
Pra que ficar juntando os pedacinhos?
Fábricas entram no jogo e ajudar a “revelar” seus próprios segredos
por LUÍS PEREZ

DivulgaçãoUm dos privilégios de trabalhar na área automotiva é ter a oportunidade de conviver com fotógrafos do calibre de Claudio Larangeira e Reginaldo Manente. No início dos anos 70 (em plena ditadura, portanto), o carro em que Laranja estava chegou a levar tiros e ele foi preso, por correr atrás de uma imagem exclusiva da Brasília, novidade que era dirigida por um executivo da Volkswagen. Manente, a quem costumamos encontrar nos lançamentos da Ford, foi o autor da célebre foto de capa do “Jornal da Tarde” do menino que chorava pela eliminação do Brasil na Copa de 1982. Isso para ficar apenas nos exemplos de dois grandes profissionais, da época em que a área corporativa das empresas era bem diferente. Arriscar a vida por furos que desmantelavam estratégias de marketing e mostravam ao consumidor que modelos seriam lançados era tarefa para poucos.

De uns tempos pra cá, algumas montadoras decidiram entrar no jogo. Exemplo disso foram as aparições “ao acaso” do atual Vectra no campo de provas da General Motors, em Indaiatuba (SP), durante o lançamento de um outro veículo. Alguns executivos da empresa ainda faziam menção a não deixar fotografar aquele “segredo”, mas nada a sério. Depois, no lançamento do Prisma, foi a vez de a fabricante soltar desenhos que revelavam a forma do pequeno sedã em doses homeopáticas. Nesta semana a empresa enviou à imprensa uma foto que mostra o Vectra hatchback coberto com um pano azul, entre um Astra e um Vectra (foto abaixo). Assimilou ou não o espírito da coisa?

Divulgação
A versão hatchback do Vectra, coberta por um pano azul, em foto da GM

Mais recentemente foi a Volkswagen do Brasil que adotou tal estratégia no reformulado Golf (leia aqui). A bem da verdade, o carro mudou muito pouco – afinal, o time estava ganhando. Houve reestilizações na dianteira e na traseira, além da adoção de luz indicadora de seta no retrovisor. As fotos com tais novidades chegavam aos poucos (com o cuidado de servir a todos os veículos de um mesmo meio simultaneamente), proporcionando ao lançamento um clima de suspense. Mesma estratégia adotou a Renault, com o novo Laguna, que será mostrado integralmente só no dia 4 de junho. Até lá, nós e os leitores teremos de nos contentar em ficar juntando os pedacinhos. Ou nos empenhar mais, como faziam os fotógrafos supracitados, na caça ao furo. Fica a pergunta, que convido o leitor a responder (clique aqui): até que ponto a revelação de segredos de fábrica é importante?

Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.

è Leia aqui a coluna anterior: "Seu Frias nos acostumava mal".

Publicado em 08/05/2007

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