Ah, se todos pensassem igual... O mundo seria mesmo uma chatice. Poucas sensações na vida são tão prazerosas quanto a de um inteligente e civilizado embate de idéias, cheio de argumentos, exposição de fatos, números, enfim, um duelo que ajude o espectador a formar sua opinião. Se for em um veículo de comunicação que atinge milhares ou milhões de pessoas, tanto melhor.
Infelizmente não é sempre o que se vê – e não raro é um dos lados descambar para a pura e simples agressão verbal. Ou, pior, não respeitar diferenças, individualidades ou, em última instância, manias mesmo (de perto ninguém é muito normal), ainda que elas não prejudiquem terceiros. Um dos princípios que regem a linha editorial de Interpress Motor é a livre exposição de idéias. Por mais que este editor que vos escreve seja contrariado pelos próprios articulistas.
Pois isso aconteceu outro dia. Estamos formando um interessante time de colunistas, com pessoas jovens, dispostas a explanar suas opiniões e, acima de tudo, críticas. Assina a coluna Pista Livre, por exemplo, o jornalista Eduardo Hiroshi – notável analista de mercado, com carta branca para fazer as observações que achar mais convenientes. Em Fórmula 1 escreve Luís Joly, xará autor do livro “Chaves: Foi Sem Querer Querendo?”, cuja leitura eu indico.
Já em Stock Car é a vez do jovem Rodrigo Lamonato, advogado e músico frustrado, como ele mesmo se intitula. Eu o apresento assim, mas o fato é que Lamonato há tempos escreve em publicações de fora do eixo Rio-São Paulo e foi muito bem recomendado pelo jornalista Fabio Seixas, da “Folha de S.Paulo”, especializado em automobilismo e hoje editor-adjunto de “Esporte”. Foi com Lamonato que troquei alguns e-mails acerca de sua última coluna.
Curiosamente o articulista reclamava do fato de, nas duas primeiras corridas da Stock Car, apenas dois pilotos terem se repetido entre os dez primeiros. “Nenhum deles teve performances que montem um belo quadro”, escreveu (leia a íntegra do artigo aqui). Em linhas gerais, minha correspondência a ele se limitava a dizer que teriam razão os que dissessem algo do tipo: “Puxa, esses jornalistas nunca estão satisfeitos. Se os primeiros colocados se repetem, é marmelada. Se não, falta uma `cara´ à competição”.
Pois é. Disse isso a ele – respeitando sua opinião e fazendo valer o direito de escrever o que bem entende no espaço que lhe é destinado. Mas discordo. Acho que a graça de uma prova nos moldes da Stock está justamente nesse extremo equilíbrio. É o que garante a diversão, bem como tem acontecido na Fórmula 1. Mas gostaria de saber a opinião do leitor. Quem quiser dar a sua é só nos escrever (clique aqui). Em tempo: isso não é nenhuma enquete para saber quem tem razão. Só um questionamento sem base científica para saber o que o público que gosta de automobilismo pensa.
Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.
è Leia aqui a coluna anterior: "Pra que ficar juntando os pedacinhos?"
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