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ARTIGO
AUTOGIRO
Onde vamos parar, se é que já não paramos!?
Uso racional do automóvel torna possível curtir o que ele tem de melhor
por LUÍS PEREZ

DivulgaçãoAndar de automóvel é um prazer. Faz tempo que a indústria automobilística deixou de ser pura e simplesmente fornecedora de máquinas  – e se tornou um negócio que, antes de tudo, vende sonhos. O mundo do automóvel tem muito de entretenimento, de cultura, de comportamento. Mexe com a auto-estima (às vezes mais do que deveria) e com o desejo de ser e fazer mais. Só que em determinados momentos estar de carro não tem graça nenhuma.

Sim, refiro-me aos imensos congestionamentos das grandes cidades. Qualquer pessoa que roda algumas dezenas que quilômetros por dia nos horários em que praticamente todo mundo sai de casa e volta do trabalho simultaneamente perde um tempo descomunal. Se fizer as contas relativas a um ano ou uma vida, ficará deprimido... Melhor nem pensar.

Certa vez o ex-piloto Nelson Piquet deu uma declaração de que, se for para ficar preso em um engarrafamento, melhor estar em um carro de luxo do que em um “popular”. Concordo. Mas melhor mesmo é fazer uso racional do carro, em vez de sentar ao volante para pequenos percursos ou mesmo o centro da cidade. Calcula-se que todos os dias cerca de 500 automóveis entrem em circulação em São Paulo. Imagine o efeito...

Não sou contra o automóvel. Afinal, além de todo o fascínio que ele exerce, trabalho com isso. Mas acho que, assim como em várias outras áreas do conhecimento (um bom livro, um bom vinho, um bom prato, uma boa conversa...), é preciso saber apreciar. E isso não acontece com o uso árido do dia-a-dia.

A solução? Na medida do possível (e aí a profissão de jornalista é uma dádiva), ir quando os outros estão voltando e vice-versa e evitar os horários mais complicados. Não sair sexta e sábado à noite. Trabalhar no domingo e tirar folga durante a semana... Não dá? Ah, você entendeu o espírito da coisa.

Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.

è Leia aqui a coluna anterior: "A arte de discordar".

Publicado em 23/05/2007

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