O que você, caro leitor, sente quando algum fabricante de veículos alardeia que seu automóvel é líder de mercado? Por acaso lhe dá uma vontade irresistível de ir o mais rápido possível até uma concessionária da marca comprar o carro para ter o veículo mais vendido? Ou seu sentimento tem muito mais a ver com confiabilidade – se o carro sai mais, é porque ele é bom, você pensa?
Abordo hoje esse tema por uma razão muito simples: é uma situação muito delicada vir a público para dizer “olha, meu produto não vende tanto, mas é muito bom”. Exemplo mais recente disso é o Ford Focus, cuja propaganda na TV tentava convencer as pessoas que não é preciso pensar igual aos outros, mas sim com a própria cabeça.
Falo com conhecimento de causa. Já tive um Focus e é um excelente carro – se tivesse de comprar outro veículo hoje, repetiria a dose. Mas é aquele típico caso de produto “injustiçado”. Isso me lembra quando o jornalista Paulo Francis deixou de escrever na “Folha de S.Paulo” e estreou em “O Estado de S.Paulo”. A publicidade deste último dizia: “Faça como Paulo Francis: troque a `Folha´ pelo `Estadão´”. No fundo isso é admitir que todo mundo prefere a concorrência.
É diferente da briga em que se disputa a primazia em determinada tecnologia. Sim, porque isso ocorreu com o airbag em carros nacionais em 1996 – General Motors e Fiat disputaram, respectivamente, nos modelos Vectra e Tipo, que modelo foi vendido primeiro com as famosas bolsas infláveis. A GM chegou a fazer uma venda simbólica só para apresentar na convenção de imprensa, ocorrida no hotel Glória, no Rio de Janeiro.
Uma coisa é gastar um saco de dinheiro pensando em tecnologia, em segurança. No caso da liderança de mercado, é diferente. Será que alguém compra automóvel porque é o mais vendido? Pouco provável. O Volkswagen Gol é o carro mais vendido do país há 20 anos, mas nada me convence de que alguém o compre por ser o mais vendido. E você, o que pensa disso? Dê sua opinião aqui.
Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve quinzenalmente às terças-feiras neste espaço.
è Leia aqui a coluna anterior: "Cada país tem a elite que merece".
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