Os programas de televisão exploraram à exaustão uma mesma pauta: com a crise aérea, muitos passageiros optaram por viajar de ônibus ou de carro, para fugir dos atrasos generalizados, dos aeroportos lotados e da falta de segurança. O problema começou com a tragédia do avião da Gol no ano passado, que matou 154 pessoas, e prosseguiu com a confusão causada pelos protestos dos controladores de vôo. O assunto voltou a ganhar manchetes de jornais com o acidente do Airbus da TAM em Congonhas na semana passada. Ficou a sensação de que o avião é arriscado.
A recente tragédia paulistana aumenta a má impressão. No entanto, não é o que a prática demonstra. Um estudo norte-americano publicado no site “Folha Online” revela que o avião é 11 vezes mais seguro do que o automóvel, comparando o número de acidentes e o de viagens. O que causa a sensação contrária? Simples: enquanto a frota de aviões brasileira é de 11.203 aparelhos, a de autoveículos (carros, comerciais leves, caminhões, ônibus e motos) está em 36 milhões. Toda vez que um avião cai, é tragédia; quando um automóvel bate, é fato corriqueiro.
Especificamente sobre o Brasil, nossas estradas e as más condições da frota circulante estão em situação alarmante. O programa tapa-buracos do governo federal não só se demonstrou um equívoco desde a sua concepção como também um gesto inócuo: vários trechos recapeados voltaram a apresentar problemas menos de um ano depois. Em outras palavras, dinheiro jogado fora. Outro exemplo: as prefeituras das maiores metrópoles brasileiras não conseguem consertar o asfalto na mesma velocidade com que surgem buracos.
Não há fiscalização real para os carros que circulam. Como não há um programa de vistoria, os carros rodam praticamente do jeito que os motoristas quiserem. As apreensões nas blitze da Polícia Militar Rodoviária não parecem assustar quem ignora o pagamento de multas ou de licenciamento. E os condutores do país que revelou Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna parecem se sentir pilotos nas nossas ruas, mas na hora em que um acidente acontece, fica a quase certeza de impunidade.
Será que é realmente mais seguro pegar um ônibus ou viajar de carro do que usar um avião?
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A coluna da semana retrasada, que abordou o polêmico mercado dos carros 1.0 (leia aqui), recebeu várias mensagens de leitores. A maioria dos internautas apoiou minhas idéias de extinguir as alíquotas diferenciadas, reduzindo os impostos de todos os modelos, mas cerca de 30% das mensagens eram de discordância e 10% ficaram no meio-termo.
Romário Filho, de Santos (SP), escreveu: “Odeio carro 1.0 com todas as minhas forças! O consumo de um motor 1.4 bem ajustado é o mesmo, ou até menor, que o consumo de um 1.0”. Walter Willy, de Ibiúna (SP), relata: “Tenho vasta experiência com automóveis. Conheci veículos com potencias de 12 cv a 185 cv. Meu parecer é que, com a tecnologia atual, não só recomendo, como pretendo adquirir um veículo dotado de motor 1.4. São carros com desempenho igual ou superior a muitos 1.6 e simultaneamente tão econômico ou até mais que muitos 1.0”. Já Rodrigo Pereira, de Maceió (AL), afirmou: “Na minha opinião, a pior idéia do homem foi o motor 1.0. Não se consegue nenhuma vantagem, seja em consumo (que é o mesmo dos motores maiores devido à alta rotação), seja em dirigibilidade, conforto... Nada”.
O leitor Jonas Gomes Camalhonte, de Marília (SP), se opôs. “Não concordo em absolutamente nada com os comentários do autor sobre carros `populares´. Todos os meus veículos, há mais de dez anos, são `populares´ e extremamente econômicos." Leonardo Thomsen, de São Paulo, foi além: “Achei o texto uma grande baboseira. O Brasil tem sua topografia de serras e montanhas sim, mas a maioria esmagadora da população brasileira mora em centros urbanos, com uma densidade também esmagadora na faixa litorânea do país; o que nos faz chegar à conclusão de que as pessoas não andam com seus carros em serras e montanhas para ir ao supermercado”.
Alguns internautas ficaram no meio-termo. “Acho que os motores 1.0 não devem desaparecer, mas se readaptar, utilizando o turbo, por exemplo”, disse Cristiano Quaresma Silva, de Belém (PA). “Eu tenho um Celta 1.0 e estou contente com a potência, mas eu não compraria novamente um carro 1.0, mesmo porque somos em cinco pessoas na minha família, eu, minha esposa e três filhos; quando saímos de férias no fim de ano é um tédio viajar com o porta-malas cheio e mais cinco passageiros, tendo em vista que moro em uma cidade onde os morros prevalecem", escreveu Luiz Claudio Ferreira Miranda, de Mafra (SC).
Eduardo Hiroshi é editor do caderno “Máquina” do jornal “Agora São Paulo” e escreve às quintas-feiras em Interpress Motor.
è Leia aqui a coluna anterior: "Matar o carro é matar a galinha dos ovos de ouro".
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