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ARTIGO
AUTOGIRO
Idade e hora certa de parar
Indústria já se mobiliza para criar alternativas para os idosos ao volante
por LUÍS PEREZ

Luís Perez - foto Pedro Bicudo/DivulgaçãoNo início do mês, a Fiat realizou o test-drive do novo Punto em Buenos Aires. Fazia parte do percurso a autopista que segue para Ezeiza, onde fica o aeroporto internacional. Nela há uma curiosa indicação: a velocidade máxima permitida é de 100 km/h, enquanto a mínima é de 50 km/h. Para quem não sabe, no Brasil também há uma velocidade mínima a ser respeitada – ela não pode ser inferior à metade da máxima. Ou seja, é proibido trafegar a menos de 60 km/h em uma rodovia como a dos Bandeirantes, cujo limite é 120 km/h.

Não existe uma regra, mas uma boa parcela das pessoas que andam devagar demais no trânsito – o que às vezes é tão ou até mais perigoso do que andar rápido – é composta de idosos. No mundo todo a indústria automobilística já começa a se movimentar para diminuir a insegurança dos idosos ao volante. De fato, o dirigir bem ou mal não está diretamente relacionado à idade. Conheço pessoas à beira de seus 80 anos com destreza de rapazes de 20 e poucos.

Empresa dedicada à fabricação de componentes automotivos, a TRW divulgou na última semana uma série de estatísticas que comprovam essa preocupação. Nos EUA os condutores mais velhos já correspondem ao segmento que mais cresce na população. No Brasil, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a população envelhece rapidamente – 8,8% dos brasileiros têm mais de 60 anos. Em 2020, um em cada 13 brasileiros será idoso. Em 2050 o número de brasileiros com mais de 65 anos deve ser o mesmo de pessoas com até 14 anos.

Por uma simples questão de lógica de mercado, os fabricantes estão se mexendo. Para diminuir o número de acidentes provocados por problemas ocasionados pela idade, as montadoras já buscam soluções para compensar a visão reduzida, os reflexos mais lentos e a perda auditiva. O órgão norte-americano NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration) mostra que, em 2002, 12% das fatalidades no trânsito foram provocadas por motoristas idosos. Displays com letras e números maiores, dispositivos que se adaptem a um tempo maior de reação, entre outros itens, já estão sendo pensados. Tudo isso para, sobretudo em relação àqueles que adoram dirigir, retardar ao máximo a resposta sim à pergunta: é hora de parar?


 

PS - Esta coluna volta a ser semanal. E volta a ter periodicidade regular, depois de um longo inverno (um mês...). Tivemos algumas mudanças no site. Uma das mais interessantes foi a criação do InterBlog, o blog com curiosidades, bastidores e outras impressões do setor automotivo. Por enquanto há três colaboradores cadastrados: eu, o competente e dedicado redator Rodrigo Leite e a nossa repórter fuçadora Thais Villaça, que está conosco agora com maior freqüência. Coloque o blog em seus favoritos: http://interpress.motor.blog.uol.com.br. Ah, você sabe tudo sobre marca e seu slogan? Então faça o teste aqui.

Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.

è Leia aqui a coluna anterior: "Você compraria um carro só porque ele é líder".

Publicado em 28/08/2007

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