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ARTIGO
Autogiro
Se proibir fosse solução...
A dura vida dos motociclistas e outras coisinhas mais
por LUÍS PEREZ
Luís Perez - foto Pedro Bicudo/DivulgaçãoComo é dura a vida do motociclista em São Paulo. Em nenhum lugar do mundo é assim... Moto aqui, para muitos, não é apenas uma questão de opção, como acontece em Paris com Rosane Mazzer, dona do badalado bar Favela Chic, a quem encontrei pilotando uma simpática lambreta na capital francesa. Locomover-se de automóvel, além de caríssimo – preço do carro, gasolina, impostos... –, é pouco funcional. Andar de motocicleta é mais barato do que de ônibus. Em que pese o risco de roubo na cidade em que já se matou por R$ 0,60, é mais fácil de se locomover e de estacionar. Sem trocadilhos, uma mão na roda.

Mas a vida do motoqueiro – tudo bem, motociclista, motoboy, piloto etc. – é mesmo dura. Neste ano resolveram aumentar o Dpvat (famoso seguro obrigatório) em 38,25%, passando de R$ 183,84 para R$ 254,16. É mais ou menos um terço do que a maioria dos motoboys ganha por mês. Só podia dar em manifestação – e em cidade paralisada. De novo. Seria o primeiro a defender o uso do transporte coletivo, se ele fosse decente e seguro.

Como usuário de moto, também tive de me enquadrar e comprar um capacete novo. Fui à rua General Osório, no centro de São Paulo, e adquiri um com tudo o que mandava a regulamentação – faixas, selo do Inmetro etc. Preço: R$ 135. Na noite do mesmo dia, puxei papo com o entregador de pizza. "Ah, lá no meu bairro consegui por R$ 70." Capacete igualzinho – só que o dele preto, o meu amarelo. Onde será que ele mora?

Gilberto Kassab, prefeito pirotécnico que vai à TV dizer que "gasta" em educação talvez por desconhecer o verbo "investir", me faz lembrar o pai que pegou a filha cheia de intimidades com o namorado no sofá e decidiu resolver o problema de vez tirando o sofá da sala. Bem, Kassab já voltou atrás na proibição de motos nas vias expressas das marginais. Agora discutem-se no Congresso leis mais duras para crimes de trânsito. À vontade... Podem aprovar a pena de morte para quem parar em cima da faixa ou para quem não der seta. Não vai adiantar, pois simplesmente não existe fiscalização adequada.

E essa história de proibir caronas nas motos? Não vou me surpreender se, a exemplo do pai que tirou o sofá, os legisladores resolverem proibir os fabricantes de automóveis de equiparem seus veículos com porta-malas. Afinal é lá que os meliantes jogam as vítimas de seqüestro relâmpago, não? Ah, se fosse assim tão simples...

Que tal o Estado vir a público e abrir o jogo para com a sociedade? Basta simplesmente admitir que falhou. Que, apesar de todos os impostos que pagamos, a segurança, a exemplo de saúde, educação, saneamento básico e outras coisinhas mais, teremos de adquirir em paralelo? Pena que nem todos tenham um cartão corporativo...

Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço. Nesta semana, excepcionalmente, a coluna é publicada na sexta-feira.

leia mais Coluna anterior: Depois que inventaram internet e Photoshop...

Publicado em 01/02/2008

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