Shopping Interpress
Adicionar aos favoritos Recomende a um amigo Faça deste site sua página inicial Faça o download da apresentação de INTERPRESS MOTOR
Lançamento
Opinião
Reportagem
Galeria de fotos
Notícias
Fale conosco



Enquete
Papel de parede
Jogos
Busca
InterBlog
Boletim
Shopping
Caminhões e ônibus


  O que é isso?

ARTIGO
Autogiro
Vaivém, desinformação e lei da gravidade
Contribuinte que já paga para ter segurança pública terá de arcar com rastreador
por LUÍS PEREZ
Luís Perez - foto Pedro Bicudo/DivulgaçãoConversei outro dia com Alfredo Peres da Silva, diretor do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito). O motivo do meu telefonema era outro, mas não resisti a ser absolutamente franco com ele em relação ao vaivém das questões referentes ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito), cujas resoluções às vezes, disse eu, parecem completamente descoladas da realidade. Referi-me em especial à questão da regulamentação para as motocicletas.

É simplesmente vergonhoso que o Brasil tenha a particularidade de ser o país "das leis que pegam e das leis que não pegam". Basta aumentar o seguro obrigatório e determinar que os capacetes precisam ter essa ou aquela faixa reflexiva, a viseira assim ou assado que a cidade de São Paulo simplesmente pára (como se isso fosse necessário para tal façanha, vide os recordes de congestionamento dos últimos dias).

Em qualquer país civilizado, valeria o "cumpra-se a lei". No Brasil não é bem assim, não. "Vamu conversá, cumpádi...". O diretor saiu em defesa do Contran. Disse que o governo teve de voltar atrás nas exigências de selos ou etiquetas porque o próprio Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) constatou que muitos dos capacetes certificados estavam sem o selo. "Ou seja, houve problemas de informação interna", disse-me Alfredo Peres da Silva.

Dia desses, ao produzir uma reportagem – sobre outro assunto, nada a ver com motocicletas –, este repórter recebeu, por acaso, de quatro pessoas diferentes de dentro do Inmetro quatro versões, todas desencontradas, sobre um determinado procedimento do órgão. Aposto que nas ruas a fiscalização me daria uma quinta versão sobre o mesmo tema. Pode? Não só pode como acontece direto, sobretudo com órgãos públicos, em que os "profissionais" adoram um "acho que", "parece que" e "eu soube que...".

Tenho motivos para acreditar que os otários que gastaram dinheiro comprando capacete com sobrepreço – sim, a velha lei da oferta e da procura entrou em ação nos derradeiros dias que precederam o início da determinação que depois foi adiada para 1º de junho – já caíram no golpe do kit dos primeiros socorros no final dos anos 1990 e ainda cairão em muitos outros.

É muita desinformação, alimentada pela dupla burocracia-corrupção (aí vem o dilema do ovo e da galinha) e por um tanto de falta de educação – a mesma que faz 90% dos ocupantes não usar cinto no banco de trás, achar que a janela do carro é lixeira ou ligar o pisca-alerta com o carro em movimento (o equipamento deve ser utilizado só com o carro parado).

Daqui a cerca de um ano e meio, todo carro deverá sair de fábrica com rastreador. Sim, a intenção é evitar furto e roubo. Quem vai pagar por isso? Você mesmo, que já paga impostos para que o poder público cuide da segurança pública e evite o roubo de seu carro. Sim, porque aqui pagamos tudo no mínimo dobrado (saúde, escola, segurança...).

Acho que não demorará o dia em que criarão uma lei obrigando que de uma hora pra outra os carros flutuem, a fim de evitar acidentes e prejuízos com os buracos das ruas e estradas (sim, a intenção é sempre boa). Então, depois que essa determinação entrar em vigor, alguém notará que outra lei, mais antiga, a da gravidade, continua em vigor. Resultado: vão voltar atrás sem nem precisar de passeata na avenida Paulista.

Tudo bem, concordo com o argumento do diretor do Denatran e acho que a sociedade civil no Brasil tem muito a avançar em termos de mobilização (ele menciona que muitos dos temas não tramitam como deveriam pelas entidades a representam). Mas bom senso nunca é demais antes de tomar decisões inexeqüíveis e que só vão causar descrença.

PS - É motivo de orgulho para nós, que procuramos fazer jornalismo automotivo de alto nível na internet, sermos reconhecidos com menção honrosa do 3º Prêmio SAE de Jornalismo (leia aqui) logo no primeiro ano em que a categoria Internet entra na disputa e apenas pouco mais de um ano e meio após termos inaugurado o site Interpress Motor. Nossos agradecimentos a todos os que acreditaram e apoiaram o projeto desde o início e sobretudo aos leitores, que nos agraciaram no último mês com o recorde de audiência de 2,5 milhões de acessos.

Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às terças-feiras neste espaço.


leia mais Coluna anterior: A pequena empresa da multa.

Publicado em 04/03/2008

voltar
Interpress Motor | Expediente
© 2006-2009 Interpress Motor - Todos os direitos reservados
É proibida a reprodução de conteúdo deste site em qualquer meio
de comunicação, impresso ou eletrônico, sem autorização por escrito
Desenvolvido por AD&R Marketing