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ARTIGO
Pista Livre
A hora e a vez das picapes médias
De olho no mercado de S10 e Hilux, concorrência começa a se mexer
por EDUARDO HIROSHI
Eduardo Hiroshi - foto DivulgaçãoA Volkswagen já começou a fazer seu alarde. A primeira picape média da marca, que será fabricada na Argentina, começa a ganhar as ruas até o ano que vem. Da mesma forma, a Fiat já confirmou oficialmente que vai produzir uma picape, também na Argentina, em parceria com a indiana Tata. Os alvos: os consumidores da Chevrolet S10 e da Toyota Hilux – respectivamente, líder e vice-líder de um segmento que cresce a passos largos. Os números confirmam: em 2005, foram 56.027 picapes médias. No ano seguinte, foram registradas 61.613 unidades, e em 2007, 69.974. Um aumento expressivo ano a ano e que ganha ainda mais importância ao saber que nenhum veículo que compete nessa categoria é barato.

Só que esse mercado possui dois tipos de consumidores. O primeiro, que compra majoritariamente a S10, é formado principalmente por pequenos comerciantes, produtores rurais, profissionais autônomos da zona rural (agrônomos, por exemplo) e por praticantes de off-road. Esse cliente também é disputado pela Ford Ranger – e, com exceção do pessoal das trilhas, tende a ser também o foco das picapes médias da Volkswagen e da Fiat. O objetivo é uma boa relação custo-benefício.

O outro tipo de consumidor é o fazendeiro, o novo-rico, o rapaz endinheirado da cidade que gosta da idéia de ir para o campo. Esse é o comprador de Hilux e da safra de lançamentos recentes – Mitsubishi L200 Triton e da nova Nissan Frontier. São pessoas que estão fugindo de sedãs e fazem questão de ter luxo em um veículo grande e que dê status, mas nem sonham em colocar suas picapes para fazer uma trilha.

No Brasil a S10 precisa se cuidar. Tecnicamente defasada, só é líder por preço. No ano passado foram 22.633 unidades. A Hilux, que é bem mais cara e não tem versão a gasolina, registrou 19.343 unidades. Há anos comenta-se que a GM vai lançar uma nova família de picapes e utilitários, mas essa promessa, que ouvi pela primeira vez em 2002, nunca saiu do papel. A Ford, por sua vez, já está correndo: os primeiros protótipos da nova geração da Ranger estão em fase de testes e devem chegar às lojas em 2009, possivelmente no segundo semestre para não ofuscar o lançamento dos novos Focus e Focus Sedan.

Quer comprar uma picape média? Atenção para alguns detalhes: elas possuem seguro caro (porque são muito visadas por ladrões, que adoram vender motores diesel para fazer geradores) e, se a prioridade for o conforto, melhor pensar duas vezes, pois, de uma forma geral, são veículos que pulam muito nas irregularidades do terreno. Além disso, são difíceis de manobrar e não possuem agilidade alguma no trânsito urbano. A idéia de que esses veículos também são mais robustos esbarra no alto custo de suas peças – o que inviabiliza a tese de que só uma picape (ou um jipe) suporta o tranco da buraqueira das nossas cidades.

Pior de tudo: são péssimas do ponto de vista de segurança em relação aos carros de passeio. As próprias fábricas alertam para isso nos manuais e em avisos colocados na cabine, alertando para o alto risco de capotamento. Picapes médias são muito agressivas em caso de atropelamento ou colisão e, devido à sua estrutura muito rígida (afinal, são projetadas para transportar carga), comportam-se quase como um caminhão em caso de batida frontal.

Nos EUA há movimentos liderados até por entidades religiosas dizendo que, se Jesus Cristo fosse vivo, não dirigiria um utilitário... Mas, se você realmente precisa de uma picape, seja para trabalhar ou para viajar, a conversa muda de tom. Tendo os cuidados necessários em sua condução e com um seguro protegendo seu patrimônio, elas proporcionam uma versatilidade para transportar pequenas cargas que nenhum outro tipo de veículo oferece.

Eduardo Hiroshi é jornalista especializado em automóveis. Escreve sobre o mercado automobilístico às quintas-feiras em Interpress Motor.

leia mais Coluna anterior: Vendas e congestionamentos.

Publicado em 13/03/2008

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