 O novo Honda Civic Flex: subtanque fica sob o pára-lama dianteiro direito
Era uma vez um automóvel que, mesmo sem ter aderido à tendência dos “flex fuel” (que hoje são 82% dos modelos vendidos), já podia ser considerado o melhor fabricado no Brasil. Extremamente bem resolvido, traz design arrojado, excelente dirigibilidade, ótimos acabamento e desempenho. Até por isso, tinha fila de espera para adquiri-lo. Abocanhou prêmios e chegou a ser vendido com ágio. Rapidamente a fábrica interveio e procurou organizar a fila das concessionárias. Foi o melhor representante do segmento que floresceu no país em 2006, o dos sedãs médios. Se existe um senão em relação ao modelo, é no porta-malas de 340 litros, menor que o de seus concorrentes. Estamos falando do novo Honda Civic.
 Modelo é muito bem resolvido; crítica se resume ao porta-malas de 340 l
Só faltava ao Civic ganhar o tal motor que funciona abastecido tanto com álcool quanto com gasolina, ou com a mistura dos dois combustíveis em qualquer proporção. Não falta mais. A versão Flex do Honda Civic já chegou às revendas, e Interpress Motor acaba de avaliá-la em trechos urbanos e rodoviários.
 Um dos detalhes que diferenciam a versão é o emblema Flex na traseira
Em termos de desempenho, muito pouco mudou. Afinal, quando abastecido apenas com gasolina, a versão Flex do sedã da Honda fica apenas 2 cv (cavalos) menos potente do que quando se usa álcool – cai de 140 cv para 138 cv, algo quase imperceptível. Outro detalhe: os consumidores das regiões Sudeste e Sul dificilmente vão abastecer o tanque apenas com gasolina. Ou seja, essa ligeira desvantagem nem deverá acontecer na prática. Também é menor a autonomia, pois o álcool é consumido mais rapidamente. Nada, porém, fora do normal.
 O Civic Flex tem preços a partir de R$ 63.290; versão top custa R$ 82.405
Então não há diferença alguma do não-Flex para o Flex, dirá o leitor. Bem, há sim. É exatamente aí que a Honda se diferencia. Com um olhar um pouco mais atento, será possível notar uma abertura extra no pára-lama dianteiro direito. É lá (e não no motor) que a Honda resolveu colocar o reservatório de partida a frio, aquele em que vai apenas gasolina para ajudar o carro a pegar no dias de baixa temperatura. Na verdade é um subtanque de 700 ml, em que só entra a ponta do bico da mangueira de abastecimento. “Isso induz o frentista a ser mais cuidadoso na hora de abastecer”, afirma Alexandre Cury, gerente de pós-venda da montadora.
 Uma pequena alavanca sob o painel, do lado do motorista, abre o...
Esse subtanque está ainda envolto em um compartimento de aço naval de alta tensão, que mede 5 milímetros de espessura. Assim ele fica mais protegido de impactos e longe do calor que representa o compartimento do motor. As demais diferenças em relação à versão a gasolina estão no interior do veículo: no painel, uma pequena luz (chamada de lâmpada vigia) se acende quando o subtanque atinge 140 ml (20% da capacidade). Como gasolina tem prazo de validade (a comum dura algo como cerca de três meses), o sistema a utiliza em menor escala, mesmo nos dias não tão frios, a fim de forçar o motorista a substituí-la de tempos em tempos.
 ...compartimento do subtanque de gasolina, que tem 700 ml de capacidade
Além da questão da segurança, a Honda se preocupou ainda com o conforto, pois o equipamento fica longe do sistema de ventilação da cabine, evitando que o cheiro de gasolina invada o habitáculo. Por fim, a última diferença visual: uma pequena alavanca sob o painel, do lado esquerdo, abre a tampa do subtanque.
 Dispositivo induz frentista a colocar apenas o bico injetor da mangueira
O resultado final não poderia ser melhor: tanto em trânsito urbano quanto em estradas, não há o mínimo sinal de falha no motor ou qualquer problema que desabone o sistema. Na versão avaliada, a top de linha EXS, que traz opção de troca de marchas por borboletas atrás do volante, o modelo mostrou respostas extremamente rápidas e uma dirigibilidade difícil de ser igualada por qualquer outro carro nacional. O novo Civic Flex custa a partir de R$ 63.290 (LXS MT) e chega a R$ 82.405 (EXS AT, a versão avaliada).
 Uma pequena luz no painel acende quando o subtanque chega a 20%
Cautelosa como toda empresa japonesa, a Honda preferiu, ao contrário de seus concorrentes, não eliminar do mercado a versão a gasolina. Inicialmente vai optar por oferecer 30% da versão Flex e 70% da a gasolina, até porque a primeira chega a ser 2% mais cara pelo fato de oferecer a tecnologia. “Em outros veículos que estão no mercado, ele paga por isso e nem sempre usa”, diz Cury. Pode ser. Mas, se tivesse de apostar, seria no Flex. Ele defende o consumidor das oscilações de preço como as de quase um ano atrás, quando o preço do álcool passou de R$ 1,60 e hoje já pode ser encontrado a R$ 1,20 em postos de São Paulo.
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FICHA TÉCNICA
Honda Civic EXS AT Flex Motor: dianteiro, transversal,
quatro cilindros em linha,
16 válvulas, “flex fuel”, 1.799 cm³ de cilindrada Potência: 138 cv (gasolina) a 140 cv (álcool) a 6.200 rpm
Torque: 17,5 kgfm a 5.000 rpm (gasolina) a 17,7 kgfm a 4.300 rpm (álcool) Câmbio: automático, com opção de trocas seqüenciais por meio de borboletas atrás do volante
Suspensão: dianteira independente McPherson; traseira com triângulos sobrepostos, com estabilizador
Freios: a disco nas quatro rodas, com sistema ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da frenagem) Dimensões: 4,49 m de comprimento; 1,75 m de largura; 1,45 m de altura; 2,70 m de entreeixos
Tanque: 50 litros Porta-malas: 340 litros
Preço: R$ 82.405 |
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