A Volkswagen lança a Jetta Variant apostando alto. Ou melhor, apostando em um consumidor que não está atrás simplesmente de preço mais em conta, mas de um automóvel com bom motor, confortável e bem equipado. Assim é a perua que deve chegar às concessionárias da marca na segunda semana de abril por R$ 91.940. "Não é o preço mais competitivo da categoria, mas está bem posicionado pelo nível de equipamento que oferece", afirma Marcelo Franco Ferreira, gerente de marketing de produto da empresa.
De fato. O modelo traz motor 2.5, 20 válvulas, de cinco cilindros que desenvolve 170 cv (cavalos) de potência, câmbio automático Tiptronic, direção eletromecânica, ar-condicionado automático de duas zonas (é possível regular duas temperaturas para motorista e passageiro), toca-CDs com MP3 com capacidade para seis discos, dez alto-falantes, rodas de liga leve aro 17, sensor de estacionamento traseiro, freios com sistemas ABS (antitravamento), ASR (controle de tração) e ESP (controle de estabilidade), seis airbags, controlador de velocidade, volante com comandos como os do rádio e do computador de bordo (mostra distância percorrida, autonomia, consumo instantâneo, velocidade média, entre outros dados), trio elétrico e bagageiro de teto. Ufa!
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Com tanto equipamento, os únicos opcionais são os bancos de couro (podem ser bege, coisa rara no Brasil...), os faróis de xenônio e o teto solar Skyview, que mede 1,36 metro de comprimento por 87 centímetros de largura. A Volkswagen não detalhou o preço de cada opcional, mas informou que completíssimo o modelo chega a custar R$ 104 mil. A marca pretende vender 9.000 unidades neste ano.
Em pesquisas com consumidores (as famosas clínicas), a empresa detectou que eles estavam dispostos a pagar mais por um modelo completo. Suas concorrentes diretas custam bem menos – nas versões básicas, a Renault Mégane Grand Tour sai por R$ 66.190, a Toyota Fielder é vendida por R$ 68.151 e a Peugeot 307 SW, R$ 71.990. Não trazem, no entanto, muitos dos itens da Variant.
Em avaliação realizada por Interpress Motor realizada por estradas do interior de São Paulo, a Jetta Variant mostrou-se extremamente estável (o resultado atribui à suspensão traseira multilink e a boa rigidez torcional) nas curvas e bastante ágil quando solicitada no pedal do acelerador. Ao contrário do que sugere o porte da perua, o desempenho não é tão diferente em relação à versão sedã. Afinal seu peso (1.466 kg) é praticamente o mesmo da versão com porta-malas saliente (1.462 kg). Dados de fábrica indicam que sua aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em 9,2 segundos, enquanto a velocidade máxima é de 205 km/h. Ainda segundo a marca, seu consumo é de 10,6 km/l na cidade e 13,6 km/l em estradas.
Uma curiosidade: o desenho do motor é baseado no V10 do Lamborghini Gallardo. Traz duplo comando no cabeçote com sistema de fluxo cruzado, com admissão de um lado e escape do outro. O eixo de comando das válvulas de admissão dispõe de abertura variável, propiciando torque (força) em rotações menores (são 24,5 kgfm a 4.250 rpm) e potência nas rotações mais elevadas.
Na fábrica do New Beetle
Por dentro, os comandos são muito bem posicionados. Pode-se dizer que da forma clássica conhecida dos carros da Volkswagen. Ergonomia ao se posicionar nos bancos (que podem vir com apoio lombar e aquecimento) e empunhadura do volante (com regulagem de altura e profundidade) parecem ter sido herdados do Golf – aliás, na Europa ela é a Golf Variant. Detalhe: a Jetta Variant é fabricada no México, na planta de Puebla, a mesma que faz o Bora e o New Beetle. Ao Brasil o modelo chega nas cores preto Ninja e branco Campanella (sólidas), prata Reflex, cinza Platino, azul Antilhas, bege Trigo e verde Nórdico (metálicas), preto Mystic e azul Grafite (perolizadas).
Impressiona positivamente a qualidade de acabamento da Jetta Variant. Aliás, pouco (ou quase nada) se pode dizer que desabone o modelo. Quem perscrutar demais pode talvez dizer que seu porta-malas tem 505 litros, enquanto o sedã comporta 527 litros. Mas há um compartimento sob o assoalho que certamente faz esse valor ser superado, sem falar que pode chegar a 690 litros totalmente carregado ou até 1.495 litros com o banco traseiro rebatido. Seu acesso é facilitado pela altura de apenas 57 centímetros em relação ao solo. Os mais céticos então lançarão mão da falta de opções mais em conta. Mas, pelas pesquisas, não é isso o que o público quer?
FICHA TÉCNICA
Volkswagen Jetta Variant Motor: dianteiro, transversal, cinco cilindros em linha, gasolina, 20 válvulas, 2.480 cm³ de cilindrada
Potência: 170 cv a 5.000 rpm
Torque: 24,5 kgfm a 4.250 rpm Câmbio: automático Tiptronic, de seis velocidades
Suspensão: dianteira independente McPherson, com mola helicoidal integrada; traseira multilink independente, com braço transversal e longitudinal e mola helicoidal
Freios: a disco nas quatro rodas, com ABS (antitravamento), ASR (controle de tração) e ESP (controle de estabilidade) Dimensões: 4,56 m de comprimento, 1,78 m de largura, 1,47 m de altura e 2,58 m de entreeixos
Peso: 1.466 kg
Tanque: 55 litros
Porta-malas: 505 litros
Preço: R$ 91.940
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