Pela primeira vez desde que começou a ser vendido no Brasil, há dez anos, o utilitário esportivo Mercedes-Benz Classe M passa a ser oferecido com a opção de motor diesel. Trata-se do ML 320 CDI, sigla que significa Common Rail Direct Injection, ou injeção direta por duto único. Muito embora a Mercedes não o considere um concorrente do segmento de alto luxo, o Land Rover Range Rover também dispõe de propulsão diesel nas versões Vogue e Sport.

 O visual do Mercedes ML diesel é igual ao do movido a gasolina
O ML 320 CDI se junta às outras três opções já presentes no país, o ML 350, com motor 3.6 V6 (seis cilindros, em "V"), o ML 500, equipado com um 5.5 V8 (oito cilindros, em "V"), e o ML 63 AMG (6.2 V8). A novidade tem mesmo preço do ML 350, isto é, R$ 289.900 (R$ 365 mil no ML 500 e R$ 412 mil no M 63 AMG).
Com o 350, também compartilha o pacote de equipamentos de série único, sem opcionais. Apenas alguns acessórios extras de comunicação e fora-de-estrada podem ser pedidos sob encomenda, com tempo de espera entre 30 e 90 dias.
De acordo com Jens Israng, diretor de vendas e pós-vendas de automóveis da Mercedes no Brasil, houve um grande aumento na procura por utilitários movidos a diesel que custam entre R$ 150 mil e R$ 300 mil nos últimos dois anos, o que viabilizou a importação do modelo.
O objetivo da marca é unir o desenho diferenciado, esportividade, amplo pacote de equipamentos de conforto segurança, que atraem os compradores de utilitários a gasolina, com a confiabilidade, resistência e torque oferecidos pelo motor diesel. O ML 320 CDI vem com um motor 3.0 V6 (seis cilindros em "V") com turbocompressor e 24 válvulas. Bloco, cabeçotes, pistões, bomba de refrigeração, cárter e distribuidor de pressão são de alumínio. Entrega 224 cv (cavalos) de potência máxima a 3.800 giros e o torque (força) máximo é de 52 kgfm entre 1.600 rpm a 2.800 rpm.
Diesel ruim
Para queimar o diesel brasileiro, que tem alto índice de enxofre e água, o propulsor perdeu o filtro de partículas e ganhou um novo catalisador, bem como um separador de água. A tecnologia Bluetec, que permite baixas emissões de poluentes com uma série de filtros e catalisadores, não está presente justamente pela baixa qualidade do diesel nacional.
 Silencioso e suave, o motor não parece movido a diesel
Seu câmbio é o 7G-Tronic, automático com sete velocidades e opção de trocas por botões atrás do volante. Muito embora quase nenhum proprietário de um veículo de quase R$ 300 mil faça esse uso, o ML 320 CDI está pronto para encarar o fora-de-estrada.
A tração integral permanente possui o 4ETS, um bloqueio eletrônico que transfere a força de uma roda que esteja sem tração para as outras. Ao acionar o modo fora-de-estrada por uma tecla no painel, todos os parâmetros de suspensão, direção e câmbio do ML são alterados. Para as descidas, há a regulagem de velocidade em declives íngremes (DSR), que permite ao motorista programar uma velocidade máxima de 16 km/h e passar por declives sem pisar no freio ou no acelerador.
Na carroceria apenas a sigla CDI identifica a nova versão. No mais, o ML 320 é exatamente igual à segunda geração, lançada mundialmente em 2005 e vendida por aqui desde o começo do ano passado. Seus traços são perfeitamente identificados com os da primeira geração, além de semelhantes aos de outros veículos da marca. Para quem aprecia discrição, ele aparece menos nas ruas do que rivais do naipe de BMW X5 e Porsche Cayenne.

 Couro, alcântara, alumínio e conforto para cinco ocupantes
Dentro novamente o mesmo padrão de conforto e acabamento visto nos Mercedes-Benz, com couro, alcântara e alumínio espalhados por toda a cabine. O espaço interno é bom e cinco passageiros (quatro melhor ainda) viajam com conforto. O painel completo tem velocímetro e conta-giros separados pela tela do computador de bordo.
A alavanca do câmbio está na coluna de direção, liberando espaço no console central para os equipamentos multimídia. Estes são unidos pelo Comand APS, um sistema que permite aos usuários acessar e configurar DVD, CD, telefone e navegação por meio de uma tela no painel.
O pacote de segurança é grande. Há faróis direcionais com lâmpadas de xenônio, freios ABS (antitravamento) com auxílio de frenagem Brake Assist, ESP (controle de estabilidade), airbags frontais de duplo estágio, laterais dianteiros e traseiros e de cortina, encostos de cabeça ativos (Neck Pro) e o Pre Safe, um sistema que, na iminência de um acidente, prepara bancos, cintos de segurança e fecha o teto solar para diminuir as conseqüências de um impacto.

 O ML 320 CDI enfrentou tranqüilo o trecho fora-de-estrada
Interpress Motor avaliou o ML 320 CDI na terra e no asfalto. Em um pequeno percurso montado na fábrica da Mercedes-Benz, em Campinas (SP), havia rampas com inclinações longitudinal e transversal de 45 e 35 graus, trechos com buracos para avaliar a torção da carroceria e o curso da suspensão, além de lama para testar o comportamento da tração.
O utilitário esportivo não encontrou dificuldades para transpor os obstáculos propostos, porém perdeu aderência em determinados trechos, culpa dos pneus específicos para asfalto. A atuação dos sistemas de auxílio fora-de-estrada é nítida. A direção fica mais dura, o câmbio segura as marchas em rotações mais altas, O ABS ativa o modo "off-road", e as descidas são enfrentadas sem intervenção do motorista, graças ao DSR.
Na estrada foi percorrido um trecho de cerca de 250 quilômetros de rodovias em excelente estado de conservação. Esqueça os motores diesel barulhentos, vibradores e que expelem grande quantidade de fumaça. De dentro do carro, o comportamento do ML 320 CDI é igual ao de um carro a gasolina. Seu desempenho é excelente, com farto torque disponível.
Não se escuta nada além do (baixo) ruído do vento contra a carroceria. O cuidado da Mercedes com o barulho é tamanho que carpete foi instalado por dentro das caixas de rodas traseiras. De fora, no entanto, o ruído é ligeiramente mais elevado, mesmo assim mais baixo do que o de outros veículos diesel disponíveis no mercado brasileiro. O consumo é bom. No caminho percorrido, sem preocupação com economia, sua média foi de 10 km/l de diesel.

 No asfalto (bom) o modelo também tem comportamento exemplar
Seu comportamento dinâmico também é exemplar. Em curvas, acelerações e frenagens, o utilitário esportivo se passaria por um sedã, não fosse a maior altura. Parte disso se deve à tração integral, à suspensão firme e ao conjunto de rodas de 19 polegadas, calçadas em pneus de medida 255/50. A cobrança vem no asfalto remendado e esburacado, quando o ML não filtra todas as imperfeições e deixa entrar algumas vibrações.
Com o ML 320 CDI, a Mercedes-Benz pretende atingir um público que não consume tanto utilitários a gasolina: os grandes fazendeiros da região Centro-oeste. Estes muitas vezes estão a quilômetros de distância das bombas de gasolina e a metros das bombas de diesel, instaladas em suas propriedades para o abastecimento de máquinas agrícolas.
No entanto, mesmo para quem mora nos grandes centros, o ML a diesel é uma excelente (talvez a melhor) opção. Tanto é que o próprio fabricante acredita que a maior parte das cerca de 300 unidades vendidas por ano sejam equipadas com a nova motorização.
FICHA TÉCNICA Mercedes-Benz ML 320 CDI Motor: dianteiro, longitudinal, seis cilindros em "V", turbocompressor, quatro válvulas por cilindro, a diesel, 2.987 cm³ de cilindrada Potência: 224 cv a 3.800 rpm Torque: 52 kgfm entre 1.600 rpm e 2.800 rpm Câmbio: automático de sete velocidades, com opção de trocas manuais por botões no volante Suspensão: dianteira independente com braços duplos, molas helicoidais, amortecedores a gás e barra estabilizadora; traseira independente, do tipo four link, com molas helicoidais, amortecedores a gás e barra estabilizadora Freios: discos ventilados nas quatro rodas com sistema antitravamento ABS e assistência de frenagem Dimensões: 4,78 m de comprimento; 1,91 m de largura; 1,81 m de altura; 2,91 m de entreeixos Peso: 2.185 kg Tanque: 95 litros Porta-malas: 500 litros a 2.050 litros Preço: R$ 289.900
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