Acaba de chegar ao país mais uma marca de automóveis: a Chery, estatal chinesa criada em 1997 e maior fabricante 100% nacional. Após diversos estudos, a empresa decidiu desembarcar em terras brasileiras por considerar o país um mercado estratégico e promissor.
Para começar suas operações, foram investidos US$ 35 milhões no país. A fabricante terá inicialmente 30 revendas em 14 Estados, com o objetivo de chegar a 55 até o final do ano.
 O utilitário esportivo Tiggo, primeiro modelo da Chery no país
O primeiro veículo comercializado por aqui será o Tiggo, um utilitário esportivo que tem como atrativos a vasta gama de equipamentos e preço competitivo, de R$ 49.900. Até o final deste ano, a Chery pretende trazer ainda os modelos QQ (compacto de entrada), Face (hatchback – sem porta-malas saliente – que na China chama-se A1) e um terceiro automóvel cujo nome será escolhido pelos consumidores, uma vez que em seu país de origem é chamado de A3, como o hatch da Audi. A meta é comercializar 4.500 veículos até o fim de 2009, sendo 2.500 Tiggo, e 10 mil unidades no próximo ano.
 Traseira do modelo, que tem pneu na tampa do porta-malas
A proposta do Tiggo parece ser, à primeira vista, bastante interessante. O modelo será vendido completo, com itens como freios com os sistemas ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem), airbag duplo, ar-condicionado, toca-CDs compatível com MP3, direção hidráulica, rodas de liga leve aro 16, trio elétrico, alarme, faróis de neblina, espelhos retrovisores externos rebatíveis com aquecimento anti-embaçamento, aquecimento dos bancos dianteiros, rês anos de garantia, entre outros mimos. O único opcional é o revestimento de couro nos bancos, por R$ 1.000.
 Modelo encara com desenvoltura trechos de terra batida
Por fora, o carro conta com design moderno, com grade cromada, grandes faróis trapezoidais, rack no teto e capa protetora do estepe na cor da carroceria. Mas um dos itens que mais chamam a atenção é a capacidade de expansão do espaço interno, uma vez que os bancos traseiros bipartidos podem ser totalmente removidos, aumentando a capacidade de carga de 520 litros para até 1.965 litros. O acabamento interno é bem simples, mas as peças são bem encaixadas e agradáveis ao toque, apesar das rebarbas no volante.
 Interior bastante simples; ponto negativo são rebarbas no volante
Já no quesito desempenho, a história começa a desandar. Dotado de motor 2.0 a gasolina capaz de gerar até 135 cv (cavalos) a 5.750 rpm e torque de 18,2 kgfm entre 4.300 e 4.500 rpm, o modelo se mostrou bastante barulhento, com isolamento acústico praticamente inexistente, e fraco nas retomadas de velocidade, já que ao reduzir para passar em uma lombada, o carro quase morreu.
 Interior do modelo aposta na flexibilidade do rebatimento de bancos
Mas o percurso do test-drive também não ajudou muito, por ser extremamente curto, em local de tráfego intenso e sem nenhuma possibilidade de testar quesitos como aceleração, agilidade, estabilidade etc. Como o que não faltam na capital paulista são buracos, o único componente cuja funcionalidade pôde ser conferida foi a suspensão, que amorteceu com eficácia os obstáculos na pista.
 Rack de teto e antena posicionada na traseira do utilitário
Com política de preços agressiva e oferta de equipamentos ampla, há ainda um senão no modelo: o motor roda apenas com gasolina, e atualmente cerca de 90% dos carros vendidos no Brasil são bicombustíveis.
 Espaço para ocupantes do banco traseiro é satisfatório
Mas segundo o CEO da marca chinesa no país, Luis Curi, isso não será por muito tempo. "Para sermos competitivos, sabemos que precisamos de motores bicombustíveis. O projeto para isso já está bem adiantado, então alguns carros que chegarem até o final do ano já deverão ser flex", afirma.
 Modelo não tem versão flex, mas marca a promete para breve
Além disso, no início do prósimo ano devem chegar ainda as versões do Tiggo com tração 4x4 e com câmbio automático. "O que queremos é tirar o estigma de que carro chinês é de baixa qualidade porque é barato", conclui Curi. Missão que exigirá um trabalho extenso e contínuo da fabricante, uma vez que o preconceito ainda é grande.
Chery Tiggo Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, a gasolina, 1.971 cm³ de cilindrada Potência: 135 cv a 5.750 rpm Torque: 18,2 kgfm entre 4.300 e 4.500 rpm Direção: hidráulica Câmbio: manual de cinco velocidades Suspensão: dianteira independente, tipo McPherson, com molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores pressurizados; traseira independente, com braços articulados tipo quatro pontos, molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores pressurizados
Freios: a disco nas quatro rodas, com ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força da frenagem)
Dimensões: 4,29 m de comprimento; 1,77 m de largura; 1,71 m de altura; 2,51 m de entreeixos Peso: 1.375 kg
Tanque: 57 litros Porta-malas: 520 litros Preço: R$ 49.900
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