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| HERMANOS |
| Fábricas argentinas têm de levar peças de avião |
| Bloqueios nas estradas chegam a paralisar produção de algumas marcas |
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| por LUÍS PEREZ, de Buenos Aires |
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A indústria automotiva argentina começa a sentir os efeitos dos bloqueios nas estradas do país, realizados por membros do setor agropecuário em protesto ao aumento de impostos sobre as exportações de grãos, ocorrido por decreto em 10 de março. A crise chegou nos últimos dias a paralisar, em alguns momentos, a produção de automóveis – boa parte dos modelos afetados é exportada para o Brasil.
A solução encontrada pelos fabricantes para contornar o problema foi simplesmente transportar peças de avião. Interpress Motor visitou a fábrica da PSA Peugeot Citroën, em Palomar (cidade da Grande Buenos Aires), e questionou se o custo de levar peças de avião não era muito alto.
"Sim, há custos. Mas os custos seriam maiores se deixássemos de produzir automóveis", afirma Carlos A. González Fernández, diretor de comunicações e responsável pelas relações institucionais do grupo PSA na Argentina. Segundo ele, a empresa lançou mão de aviões Hércules para transportar peças a fim de não prejudicar ainda mais a produção de veículos.
 Linha de montagem do grupo PSA em Palomar, na Argentina
Trabalhando com força total – o terceiro turno foi iniciado em 1º de outubro do ano passado –, a planta da PSA (onde se fabricam, por exemplo, o Citroën C4 Pallas e o Peugeot 307) é testemunha de um momento inusitado. Enquanto na Argentina o clima é de apreensão (o mercado cresce, mas há uma expectativa de retração na demanda), o Brasil, maior cliente das montadoras argentinas, continua ávido por automóveis zero-quilômetro.
Busca por bens duráveis
Curioso é que a crise, que provoca a escassez de uma série de produtos básicos, como combustíveis e medicamentos, provoca uma corrida a bens duráveis – imóveis, dólares e automóveis. Ou seja, vendem-se mais veículos do que em condições normais, mas não há pesquisas que demonstrem o quanto. Afinal, ninguém pergunta ao comprador se ele está levando o carro para casa para não deixar o dinheiro no banco.
Teme-se ainda uma queda no turismo. O peso barato ainda ajuda muito. Mas a inflação de 8,5% divulgada pelo governo para este ano é considerada, de forma generalizada, "uma ficção". Sim, os preços sobem a olhos vistos. Segundo institutos independentes, a realidade seria algo em torno dos 25%. Ou seja, apesar do câmbio favorável, as coisas estão mais caras também para os visitantes (e o que mais se vê são justamente brasileiros). Há quem compare o momento com a crise de 2001 e 2002. É um evidente exagero.
A expectativa de crescimento no mercado interno de automóveis na Argentina é de 10,45%, passando de 534.159 unidades no ano passado para cerca de 590 mil neste ano. Em 2002, no fundo do poço, os argentinos compraram 94.246 carros – os mesmos níveis registrados nos anos 60. Há dez anos, esse número foi de 450.244.
A virada começou em 2003, quando a empresa francesa anunciou investimentos para produzir o médio 307, na época um modelo extremamente moderno. "O presidente era Eduardo Duhalde, que não podia acreditar", conta Fernández. Agora a expectativa é o que vai acontecer quando a crise do governo com o campo terminar. O impasse pode ter entrado na reta final com o anúncio da presidente Cristina Kirchner, ontem, na Casa Rosada, de que enviará o tema para ser analisado pelo Congresso.
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| Publicado em 18/06/2008 |
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