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| 08/05/2008 - 17h24 |
| Pista Livre |
| Minicarros? Ainda não |
| Modelos menores do que o Ford Ka não teriam mercado aqui |
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| por EDUARDO HIROSHI |
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Haveria mercado para um minicarro no Brasil? Essa pergunta ganha fôlego a cada vez que os jornais publicam reportagens sobre os recordes de vendas de automóveis no Brasil e com a escalada dos congestionamentos nas grandes cidades. Além disso, um automóvel menor do que os atuais poderia, em tese, custar menos.
Mas a experiência dos últimos dez anos mostra que esse tipo de veículo não consegue atingir um volume de vendas que justifique sua produção – e, portanto, não teria preço competitivo. E a explicação é simples. Quem tem pouco dinheiro para comprar um automóvel precisa de um veículo polivalente, que sirva para ir ao supermercado e para viajar com toda a família.
Os mercados dos países ditos desenvolvidos – leia-se Europa, EUA e Japão – acabam viabilizando a produção desses modelos porque o volume geral de vendas é muito maior do que no Brasil e a escala industrial entra para o lado positivo. Portanto, mesmo sendo produtos de nicho, eles dão lucro.
Os minicarros – e estou falando de modelos de até dois lugares, como os Smart – estão, aos poucos, ganhando as ruas européias. Países como a Inglaterra e a Alemanha adotaram leis mais restritivas para o uso e a circulação de veículos maiores e que gerem mais poluição. No Japão quem compra carro acima de um litro de cilindrada precisa comprovar que tem garagem em casa.
Mas não é a realidade do Brasil, ainda. E, com exceção da antiga Romi Isetta, nem chegamos a tentar. As experiências do nosso país com carros subcompactos, como o Ford Ka e o Renault Twingo, foi um fiasco. A Ford precisou remodelar o seu produto para que ele se tornasse um compacto normal, com cinco lugares e porta-malas razoável. A Renault desistiu.
Comprar um minicarro aqui, só por importadores independentes. E andar com um modelo desses é quase uma excentricidade. Quem tem dinheiro prefere carrões.
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Esta é minha última participação como colunista de Interpress Motor. Assumi novos compromissos profissionais que inviabilizaram a continuidade deste trabalho. Agradeço publicamente ao amigo e colega Luís Perez pela oportunidade e desejo sorte a toda a equipe.
Eduardo Hiroshi é jornalista especializado em automóveis.
Coluna anterior: A importância dos importados.
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