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OPINIÃO
10/06/2008 - 12h52
Alta Roda
A grande virada
Brasil já é o 5º mercado mundial, deixando para trás França, Itália e Inglaterra
por FERNANDO CALMON
Fernando Calmon - foto DivulgaçãoTodo mês as boas notícias se repetem. Além da diuturna quebra de recordes nacionais, o mercado interno tem feito o Brasil subir rapidamente na escala internacional. Nos cinco primeiro meses do ano, as vendas atingiram 1,150 milhão de unidades, o que já coloca o país como quinto maior mercado mundial. Conforme previsto pela coluna, França, Itália e Inglaterra ficaram para trás.
No acumulado dos últimos 12 meses, os 2,73 milhões de veículos que deixaram as lojas só perdem para os 2,8 milhões do ano cheio de 2007 dos ingleses. Se o período comparado for também o dos últimos 12 meses, a quinta colocação se confirma. Só não dá para garantir a consolidação dessa posição – atrás de EUA, China, Japão e Alemanha – porque o mercado russo está crescendo a um ritmo até superior ao brasileiro.

Esse cenário levou a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) a rever suas previsões para 2008. A associação agora prevê um crescimento de 24% e o mercado interno de 3,06 milhões de unidades. A Fenabrave, que reúne as concessionárias, ainda não revisou os seus números, ligeiramente abaixo dos 3 milhões. Sérgio Reze, presidente da entidade, afirma que "não ficará nem um pouco triste se desta vez perder a aposta". Nos últimos anos, a antevisão das concessionárias tem acertado mais.

Impressiona como o mercado virou em curto espaço de tempo. Muitos ainda devem se lembrar que em 2001 o então presidente da Ford, Antônio Maciel, aparecia na TV oferecendo R$ 100 para quem comprasse um carro concorrente, depois de fazer um teste com um modelo da companhia. Em 2003 dobrou o mimo para R$ 200. Atrair o comprador para a loja já era um bom negócio.

O comportamento do consumidor também mudou. Cresceu muito de importância a internet como ferramenta de pesquisa do comprador. Quando o Celta foi apresentado, em setembro de 2000, a grande rede mundial de computadores tornou-se a estratégia principal do lançamento. A GM vendia 100% da produção por esse canal, mas na realidade só uma parcela ínfima o fazia fora dos monitores dos showrooms das concessionárias. Ainda assim, despertou a atenção para um novo e promissor cenário.

A consolidação teve início em 2004. O interesse subiu na medida em que mais do que dobrava o número de computadores ligados à web. No fim do ano chegaremos perto de 50 milhões de usuários, cerca de um quarto da população – ainda distante, é verdade, dos 90% nos EUA ou 80% na Europa Ocidental. No entanto, as fábricas indicam que 60% dos compradores chegam, hoje, às concessionárias muito mais informados graças às pesquisas feitas em portais, sites e páginas da internet.

Estudos do Google, no Brasil, entre internautas, apontam que a comparação de preços não é o único atrativo. Especificações, acessórios, financiamentos, seguros, localização de concessionárias e lojas também estão entre as prioridades. Pesquisa da empresa, concluída em março último, aponta que 65% utilizaram ferramentas de buscas on-line.

A rapidez e a interatividade da internet tendem a formar uma nova geração de compradores muito bem informados e, certamente, influentes. Os fabricantes estarão cada vez mais atentos e criativos nas ações por vir.



Roda Viva

SEDÃ compacto com jeito e preço de médio (Linea, derivado do Punto), que chega nos próximos dois meses, já é página virada nas estratégias da Fiat. Segundo Lélio Ramos, diretor comercial, no seminário Autodata Revisão das Perspectivas 2008, a empresa "não pode mais continuar de fora do mercado de SUVs". Em outras palavras, alguma coisa parecida ao Fiat Sedici está em gestação.

MERCADO cadente no Brasil, monovolumes médios mantêm importância pela rentabilidade para o fabricante. Ainda sem confirmação oficial, Nissan vai mesmo de Livinia, de custo de produção mais baixo. É o modo viável de dar suporte à aliança Renault-Nissan nesse segmento. Alternativa à Scénic nacional seria a versão francesa, muito cara para fabricar no Paraná.

MERCEDES-BENZ colhe agora os frutos de ter insistido na sua linha esportiva AMG no Brasil. Vendas estão subindo com firmeza e novo C63, V8 de 457 cv e 61,2 kgfm de torque, não veio para brincar. Custa cerca de R$ 90 mil menos que BMW M3 e entrega 37 cv extras, além de muito torque a mais. Sistema de controle de trajetória (ESP) é administrável pelo motorista: relevante porque anda rápido e perdoa excessos.

RECENTE aumento de 40% no preço do GNV na Grande São Paulo afeta de forma irreversível esse mercado. Custo por km rodado tende a ser igual ou mais caro que o álcool. Este sempre garante desempenho muito melhor, sem os ônus de manutenção extra ao longo do tempo. GNV, produto de nicho, foi estimulado de forma irresponsável pelo governo. Quem acreditou fica com prejuízo ou vantagem desinteressante.

CORREÇÃO: primeira motocicleta fabricada no Brasil com injeção eletrônica foi a Yamaha XT 660R, à venda desde março de 2005 (o texto da coluna anterior em Interpress Motor já foi corrigido; leia aqui). Essa tecnologia, ao contrário dos automóveis, vai demorar a chegar às motos mais baratas, pois tem impacto proporcionalmente maior no preço.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

leia mais Coluna anterior: Dupla inseparável.


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