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OPINIÃO
23/09/2008 - 12h20
Alta Roda
O destino dos compactos "anabolizados"
Fabricantes espicham veículos para criar automóveis mais longos
por FERNANDO CALMON
Fernando Calmon - foto DivulgaçãoO mercado brasileiro está tão aquecido que nenhum fabricante quer perder a menor possibilidade de defender ou ampliar sua participação. Por outro lado, as áreas de marketing e engenharia têm que utilizar as arquiteturas disponíveis aqui para se inserir no maior número de segmentos possível. Um recurso técnico é esticar a distância entreeixos para criar um automóvel mais longo, com mais espaço para as pernas no banco traseiro. Esse expediente foi introduzido pelo Chevrolet Vectra e o Citroën C4 Pallas, por exemplo. Este último ficou apenas 1 centímetro mais curto do que o C5, um modelo do segmento D, imediatamente superior, caracterizado por larguras interna e externa maiores.

Os compactos (segmento B), por sua vez, estão cada vez mais compridos. A nova safra européia – Punto, Peugeot 207, Corsa e Fiesta – já freqüenta a barreira dos 4 metros de comprimento, antes reservada aos médio-compactos (segmento C). Mas continuam como compactos "anabolizados" ao se comparar largura e bitolas com o segmento C. Nesse contexto, a Fiat não teve dúvida. Era mais viável esticar o Punto e lançá-lo como Linea do que partir para versão sedã do Bravo, mais cara. Esse hatch médio-compacto italiano, que sucederá o Stilo em 2009 no Brasil, é nada menos que 6 cm mais largo que o Linea.

O novo sedã da Fiat, no entanto, está bem alocado no mercado por seu preço, conjunto mecânico, equipamentos de segurança e ótimo porta-malas de 500 litros (volume do Siena e do Clio sedã, como referência). O Linea tem presença e se enquadra entre os sedãs nacionais mais bonitos. Partindo de R$ 61 mil, vem recheado de itens de alto valor como bolsas de ar frontais e freios ABS, além de vidros traseiros escurecidos (dentro da lei), volante revestido em couro com regulagem nos dois planos e computador de bordo. A versão Absolute, com câmbio manual automatizado e ainda mais equipada, sai por R$ 69 mil.

Sua qualidade dinâmica está entre os pontos altos. Traz muito prazer ao dirigir. O novo motor (projeto brasileiro, fabricado na Argentina) de 1,85 litro/16V e 132 cv (etanol) garante desempenho coerente. Poderia ser algo mais silencioso em altas rotações. O câmbio automatizado ficou melhor do que no Stilo, com trocas suaves e rápidas.

Outro destaque é o motor de 1,4 litro Turbo/152 cv (italiano, a gasolina), da versão T-Jet, manual, de R$ 79 mil. Pesando pouco mais de 1.300 kg, situa-se quase no mesmo nível de acelerações e retomadas de um Civic Si ou Golf GTI. Pneus 205/50-17, perfeito acerto de suspensão e apêndices aerodinâmicos asseguram o carro sempre na mão, sem sustos. O navegador de bordo, pela primeira vez embutido no quadro de instrumentos, permite seguir a rota por voz e pictogramas (setas), mas sem mapas digitais.

Grande sacada da Fiat foi criar o Clube L'Unico: atendimento personalizado nas concessionárias, serviço leva-e-traz nas revisões, três anos de garantia e outras vantagens. Exatamente o que deveria ter merecido a subsidiária Alfa Romeo.

Sob o ponto de vista técnico, o Linea enquadra-se na franja superior dos sedãs compactos. Mas a Fiat o apresenta no segmento seguinte (C). O mercado,como sempre, será soberano no julgamento.



Roda Viva

SEMANA passada, três fabricantes anunciaram a intenção de montar fábricas aqui. Mais ambiciosa é a Hyundai, em Piracicaba (SP): em 2011 terá um compacto específico para a América do Sul, para 100 mil unidades anuais. Suzuki acena por uma operação menor, em Goiás. Chinesa Chana fez sondagens em Minas Gerais. Não se trata de coincidência. Brasil é bola da vez.

PESQUISA revelou que valor da marca nem sempre significa sucesso ou solidez. Mas é um ranking curioso, da consultoria Interbrand. No setor automobilístico as dez mais valiosas são, na ordem decrescente: Toyota, Mercedes-Benz, BMW, Honda, Ford, VW, Audi, Hyundai, Porsche e Ferrari. A empresa ressalva: "Só a marca não salva empresa em crise".

NOVA picape Frontier nacionalizada foi aos pormenores para agradar: tampa da caçamba com chave, pára-brisa degradê e encosto do banco traseiro mais inclinado. Motores diesel disponíveis, 144 e 172 cv, continuam tailandeses. Este último, acoplado ao câmbio automático de 5 velocidades e sobremarcha, acelera com vontade. Enorme distância entreeixos de 3,2 m atrapalha as manobras.

SUZUKI volta ao Brasil, em associação com o grupo Souza Ramos/Mitsubishi, de início apenas importando o Grand Vitara, agora, e o Jimny, antes do final do ano. Terceira geração do Grand Vitara cresceu em todas as dimensões, porém manteve-se fiel à tração permanente nas quatro rodas, com caixa de redução. Mesmo com motor de 4 cilindros/2 litros/140 cv vai bem na terra, sem empolgar no asfalto (pesa 1.566 kg).

FOLHETO da Honda, alusivo à Semana Nacional do Trânsito, levanta a mesma tese que essa coluna sempre defendeu sobre motocicletas: não ande entre veículos quando o trânsito estiver em movimento. Se não resolve todos os problemas de segurança, pelo menos é um passo.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

leia mais Coluna anterior: A sina das marcas chinesas.


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