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OPINIÃO
23/12/2008 - 17h37
Alta Roda
Negar apoio a fabricantes seria pior
Nenhuma marca escapará de sofrer prejuízos nesse negócio de alto risco
por FERNANDO CALMON
Fernando Calmon - foto DivulgaçãoO empréstimo do governo americano – e também do canadense – à GM e à Chrysler trouxe alento não apenas aos consumidores locais. A grave crise originada na maior economia do mundo (a pior desde a Grande Depressão de 1929-1933) se ampliou para todos os países em maior ou menor grau. Há um grande debate nos EUA sobre se vale a pena socorrer os fabricantes sediados em Detroit. A Ford está mais capitalizada e dispensou a ajuda porque assumiu grandes empréstimos bancários há dois anos comprometendo todo o seu patrimônio, mas, como admitiu, seria arrastada no caso de derrocada dos vizinhos.

Do ponto de vista racional, trata-se de uma conta de chegar, segundo analistas independentes. Negar o apoio custaria quatro vezes mais caro aos contribuintes pelos reflexos em cadeia no nível de atividades e de empregos no país. A operação de socorro, claro, traz riscos, porém calculados. Em toda a história centenária da indústria, apenas a Chrysler recebeu fundos do governo há cerca de 30 anos, em outra situação econômica. Safou-se e pagou o que devia antes do prazo.

Por trás desse imbróglio, está uma briga política entre senadores evidenciada pelo Edmunds, um dos maiores grupos da internet no ramo automobilístico dos EUA. Destacou que estados contrários à ajuda na realidade injetaram bilhões de dólares dos impostos para atrair fabricantes estrangeiros ao seu território, sem representação sindical. Acrescentou: consultorias condenam o apoio à indústria, mas são as mesmas que davam indicações sobre a boa saúde dos bancos. E fulminou, afirmando que escritórios de advocacia só aconselham o processo de concordata de olho nos fabulosos honorários envolvidos.

Sem dúvida, os três grandes cometeram inúmeros erros. A própria GM publicou um manifesto de humildade neste mês admitindo que no passado negligenciou a qualidade e o estilo dos seus carros, apostou demais em picapes e utilitários, além de possuir marcas e concessionárias em excesso. Afirma que está em meio à reestruturação, cortará benefícios e pagará os empréstimos até 2011. O problema será convencer os sindicatos de que não poderá continuar a pagar sozinha todos os salários nas fábricas fechadas, planos de pensões e de saúde. Aliás, teoricamente, obrigações em parte de responsabilidade do governo, que economizou por décadas...

Fato inegável é a interdependência dos mercados e dos fabricantes. Nenhuma marca escapará de sofrer prejuízos. Construir veículos é um negócio de alto risco porque o consumidor muda de idéia mais rápido do que a capacidade de reação. Agora mesmo, o badalado híbrido Toyota Prius entrou em parafuso porque, além da conjuntura, o preço da gasolina caiu tanto nos EUA que inviabiliza seu custo por quilômetro rodado.

Não há compradores ecológicos suficientes para manter a demanda.
Pelo menos há um fato animador nesses tempos conturbados. A Toyota desmentiu a notícia do bem-informado jornal econômico "Nikkei" de que havia suspendido o investimento para a fábrica nova no Brasil. O grupo pode ter cogitado disso, mas o tirocínio oriental falou mais alto. Além de certa distensão, em função do Poder Executivo americano ter decidido financiar a reestruturação em Detroit, apesar de o Senado vetar. 



Roda Viva 

DIVULGAÇÃO malfeita pelo governo levou à interpretação de que haveria um incentivo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para inexistentes e inviáveis picapes de até 1 litro de cilindrada. Na verdade, o IPI de 1% se estende a todas as picapes (pequenas, média e grandes) com qualquer motorização gasolina, flex ou diesel. Utilitários não foram beneficiados.

JUSTAMENTE nas picapes é que a VW aposta, em 2009, para melhorar sua fraca posição no mercado de comerciais leves. "Sem esse suporte será difícil retomar a liderança plena no Brasil", adiantou à coluna Thomas Schmall, presidente da empresa. Além da nova Saveiro (nome provável, Arena), haverá a picape média feita na Argentina focada em cima de S10, Hilux e Ranger.

FIAT Linea T-Jet antecipa o que pode ser o futuro dos motores de ciclo Otto (álcool, gasolina ou gás). Os 152 cv oriundos de apenas 1.400 cm³ proporcionam o prazer de dirigir de um motor de 2.000 cm³ com consumo próximo ao de menor cilindrada, desde que não se aplique toda a potência repetidamente. Em rotações baixas exige usar um pouco mais a alavanca de câmbio.

RENAULT Symbol, sucessor do Clio sedã, começou a ser vendido nesta semana na Argentina, onde é produzido em Córdoba. O carro chegou apenas quatro meses depois de apresentado no Salão do Automóvel de Moscou. Lançamento no Brasil está previsto para depois do Carnaval, em março.

CONTRAN foi obrigado pela Justiça a suspender o cadastramento das carteiras de habilitação sem a foto do condutor. A situação não é muito justa porque será difícil atribuir punição aos que estão fora do registro nacional de condutores habilitados. A lei, no entanto, não poderia retroagir. Os assessores jurídicos poderiam evitar esse desgaste ao conselho.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

leia mais Coluna anterior: Socorro oficial imediato.

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