Uma das coisas que mais irritam é pegar um táxi nestes dias de calor intenso e notar que o motorista tem – mas raramente usa – o ar-condicionado. Sim, o argumento é de que o condicionador de ar consome muito mais combustível. Mas garanto que pegaria o cartão e ligaria sempre para pegar o táxi de alguém que pensa na comodidade do passageiro. Rádio é outro "case". Dificilmente o taxista liga. Minutos depois que entro, costumo perguntar: "Seu rádio funciona?". Quase todos respondem a mesma coisa: "Sim, mas como tem freguês que não gosta, a gente não liga". Fica a sugestão: que tal perguntar?
Parece que não há grande relação, mas comparo imediatamente essa mania de não usar duas das comodidades do táxi ao hábito que o brasileiro tem de não comprar carro pensando em usufruir de seus prazeres imediatos. Exatamente. Mesmo que vá continuar com o automóvel por cinco ou dez anos, uma das primeiras ponderações que vem à mente de boa parte dos compradores é: "Puxa, será que isso me fará perder valor de revenda?" Ele prefere sofrer com o calor ou mesmo adquirir um modelo de uma cor que o desagrada profundamente.
Isso explica a quantidade imensa de automóveis nas cores prata e preto (principalmente da primeira) rodando por aí. Quem não gosta de ver as chamadas "cores de lançamento"? Um vermelho vivo, aquele laranja "vulcânico" do Chevrolet Vectra GT (sim, foram produzidas apenas dez unidades; na linha de montagem, aquela cor não existe...) ou o verde "Telefônica" de quando a picape Fiat Strada foi lançada? Chovem elogios (e capas de revista).
Quantas vezes já não ouvi alguém dizer "Ah, não vou encher de equipamentos, pois, na hora da revenda, ninguém vai querer pagar muito mais do que a versão básica". Daí muita gente andar por aí com o carro anos a fio com o mesmo (mau) nível de conforto do primeiro parágrafo – sem ar-condicionado, sem rodas de liga leve, sem a cor desejada, sem vidro elétrico etc.
Hora da revenda? Quando será isso? Que tal um pouco de satisfação em um momento tão compensador, que é a compra de um automóvel? Para que pensar só no amanhã, sem desfrutar do momento? Carro não se compra todo dia. Portanto, carpe diem!
Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às quintas-feiras neste espaço.
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