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OPINIÃO
17/02/2009 - 12h08
Alta Roda
A arte de prever
Com crescimento de 1,5%, Brasil foi exceção nos mercados em queda
por FERNANDO CALMON
Fernando Calmon - foto DivulgaçãoImaginar o que acontecerá com o mercado de veículos no Brasil em 2009, com certo grau de precisão, está difícil. Uma sinalização até poderia vir do exterior, mas lá o cenário continua confuso e incerto. General Motors e Chrysler apresentaram ao Congresso americano os planos de viabilidade das empresas, sem os quais não continuariam a ter acesso a empréstimos oficiais favorecidos. No mês passado, as vendas internas nos EUA foram, pela primeira vez na história, inferiores às da China. Para um mercado que já chegou a beirar 18 milhões de unidades, a queda de 16 milhões (2007) a menos de 11 milhões em apenas três anos (previsão para 2009) é uma catástrofe. Ao final de 2009, 300 milhões de americanos mesmo assim conseguirão ter comprado mais carros que 1,3 bilhão de chineses. No entanto, a perda definitiva da liderança mundial é questão de tempo.

Na Europa o socorro do governo francês, disfarçado em investimentos para novas tecnologias, beneficiando os dois grupos nacionais – PSA Peugeot Citroën e Renault – já causa reações negativas em outros países produtores da União Européia. Afinal é uma injeção de 6 bilhões de euros, enquanto governos vizinhos, até agora, se limitaram a ações pontuais e de baixo impacto financeiro. Aquele montante, em termos proporcionais, quase equivale ao dinheiro para GM e Chrysler. Como a situação evoluirá, uma incógnita.

Janeiro foi um mês muito ruim para a indústria automobilística mundial. Até na China houve recuo de vendas em relação a dezembro. O Brasil foi exceção: cresceu 1,5%, o que motivaria comemoração em situação tão adversa. Ao contrário do que alguns pensam, o governo não proporcionou nenhum empréstimo a fundo perdido às fábricas. Houve liberação de crédito ao comprador final, a taxas de mercado, e diminuição temporária de impostos. Mas muitos países seguiram a mesma fórmula de estímulo e os mercados continuaram caindo.

Inaugurando um ciclo de palestras na SAE Brasil, na semana passada, em São Paulo, Letícia Costa, presidente da consultoria Booz&Co, previu que a repetição do patamar de vendas de 2008, em 2009, já seria um ótimo resultado. Não afastou a possibilidade de queda, porém o recuo ficaria limitado aos volumes ainda bons de 2007. Os números finais dependerão do crescimento da economia. Ela descarta qualquer possibilidade de 4% de expansão do PIB (Produto Interno Bruto). O governo continua mantendo esse nível como meta, o que ninguém pode levar a sério.

Para a Anfavea, fazer qualquer previsão é complicado. Se tender ao otimismo, haverá quem pressione o governo para terminar com os "privilégios" da indústria automobilística ao final de março, como está previsto. Se for pessimista, levantará uma onda de que será necessário prorrogar a diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por mais um trimestre. Isso ocorrendo, existe o risco de o consumidor adiar as compras e interromper o ciclo de diminuição dos estoques que, em dezembro, assustou bastante ao alcançar quase dois meses de venda. Ao final de janeiro, estavam em 31 dias, um pouco distante do nível ideal de 25 dias.

Sem a normalização dos estoques, fica difícil planejar o nível de produção e de emprego nos próximos meses. E, ainda mais, exercitar a arte de prever.

Roda Viva

EMBORA a Citroën tenha chegado a construir, na França, protótipo da versão sedã do novo C3 para países emergentes, o projeto não deve vingar. Quem viu concordou que ficou feio. Por outro lado, a marca francesa espera surpreender o mercado, em março, ao lançar o C4 hatch muito bem equipado. A coluna adianta: preço competitivo parte de R$ 53.800.

SAIU
o ranking dos dez automóveis mais vendidos em 2008 na Europa, segundo os dados da consultoria Jato. Mais uma vez, a liderança foi do Volkswagen Golf, seguido por Peugeot 206/207; Ford Focus; Opel Corsa; Renault Clio; Ford Fiesta; Opel Astra; Fiat Punto/Grande Punto; VW Polo e VW Passat. De novo, o Passat foi o único médio-grande da lista, o que é surpreendente.

GRAND Scénic, de sete lugares, importado da Europa por R$ 85 mil custa só R$ 3.000 a mais que o Zafira completo. Modelo francês é mais equipado. Motor de 2 litros/138 cv sofre um pouco para tirar o carro da imobilidade – câmbio automático tem apenas quatro marchas. No trânsito urbano até que vai bem, mas na estrada, carregado, deixa a desejar.

RESOLUÇÃO recente do Contran dispensa a informação do endereço do proprietário no documento de porte obrigatório do veículo. Chega em boa hora, por razões de segurança, nesse cenário de violência insana. É bom também para aumentar o espaço reservado a anotações, exigidas quando se alteram características do veículo tais como suspensões e faróis.

SERVIÇOS de transporte a fim de evitar problemas para quem se excede na bebida estão se espalhando no país. Em Recife, no Carnaval, a empresa Anjos do Asfalto colocará um motorista à disposição de clientes para conduzir o carro, seguido por um motociclista encarregado de trazer de volta o funcionário. A central ficará no Shopping Paço Alfândega.

Fernando Calmon
é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista
aqui.

leia mais COLUNA ANTERIOR: A hora e a vez dos mais velhos.

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