Algo parece estar fora da ordem mundial. Ou a nova ordem mundial será outra depois desta crise que começou financeira, virou econômica e hoje pode-se dizer que atinge o bolso de todo mundo. Tendo seu epicentro no país de economia mais sólida do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, essa turbulência parece inverter alguns valores. Enquanto a economia do Primeiro Mundo desaba, os países emergentes até desaceleram, mas alguns (caso do Brasil) até registram crescimento. No nosso mundinho do automóvel, os dois primeiros meses do ano, em termos de vendas, foram até melhores – é verdade, graças à mão visível do governo, que abriu mão de uma parte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – do que o primeiro bimestre de 2008.
Tudo bem que não se freiam planejamentos de uma hora para a outra. Mas o ritmo de lançamentos neste 2008 ainda impressiona. Escrevo este texto de um voo que me leva de São Paulo a Manaus, onde a Honda apresenta a primeira motocicleta flex do mundo produzida em larga escala (o produto é muito interessante e prazeroso de pilotar).
É o mesmo voo que peguei exatamente uma semana antes, quando fui fazer uma reportagem sobre o início dos trabalhos de mapeamento da capital amazonense para equipar navegadores por GPS de automóveis e celulares (leia aqui). Sem dormir de quarta (5) para quinta (6), na madrugada, peguei um avião para Brasília e depois para Belo Horizonte, onde a Fiat lançou o Punto T-Jet. Esta semana começou com o lançamento do Citroën C4 hatch, em São Paulo.
Enquanto isso, a Chevrolet lançou seu Vectra GT/GT-X e a Volkswagen, os luxuosos Passat CC e Eos, além do Polo E-Flex, que começa a decretar a aposentadoria do reservatório de gasolina, que ajuda a dar a partida nos dias frios. Para essas coberturas, foi destacada a repórter Thais Villaça, que nesta quarta (15) seguiu para o Rio e para Juiz de Fora (MG), conferir o novo Mercedes-Benz GLK, bem como visitar a fábrica do CLC. Na próxima semana, em vez de ir para o Norte, sigo para o Sul, onde confiro os lançamentos do sedã Symbol, da Renault, e da minivan Livina, da Nissan, os dois em Curitiba. Em seguida sigo para Florianópolis (SC), onde a Toyota lança uma versão a gasolina de seu utilitário esportivo SW4. Assim fica difícil acreditar que exista crise.
Mas ela está aí, à espreita, ameaçando sobretudo projetos futuros, que necessitam de muitos recursos para ir adiante. O que inspira mais cuidados hoje é o do Volt, menina-dos-olhos da General Motors, que pretende redesenhar o mapa dos países que usam ou não a limpa tecnologia elétrica. Outro dia discutia o assunto com o jornalista e engenheiro Fernando Calmon, de Interpress Motor.
Logo cheguei à conclusão de que o carro elétrico ainda é uma realidade distante (e olha que lá se vão 11 anos do Toyota Prius). Talvez não tanto do ponto de vista temporal, mas do encadeamento dos fatos – muita coisa ainda deve acontecer até que possamos abastecer o automóvel na tomada de casa. Será que viajarei para esse lançamento logo?
Luís Perez é jornalista e edita o site Interpress Motor. Escreve às quintas-feiras neste espaço.
COLUNA ANTERIOR: Esse termômetro chamado rua.
|