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| 07/04/2009 - 21h34 |
| Alta Roda |
| Chance de ouro desperdiçada |
| Inspeção conscientiza quem não precisa e deixa de fazê-lo com quem precisa |
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| por FERNANDO CALMON |
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As preocupações mundiais com qualidade do ar, poluição, aquecimento terrestre continuam na ordem do dia. Nessa ampla discussão, que deveria ser técnica pela complexidade do tema, os componentes políticos e interesses econômicos misturam-se com movimentos passionais. Afinal, quem não deseja ser aplaudido por ajudar a poupar nossos pulmões e salvar o planeta? O problema reside no diagnóstico correto e nas soluções. O doutor em física, José Carlos Azevedo, não cansa de afirmar que "o clima na Terra sempre sofreu transformações profundas e alternou períodos de aquecimento e resfriamento, antes e depois da Era Industrial".
De qualquer forma, as emissões crescentes desse gás podem e devem ser monitoradas. Mas não no nível de histeria atual. Na outra ponta, a de gases realmente tóxicos que saem pelo escapamento dos veículos, a batalha está praticamente vencida. Vários exemplos vieram do recente seminário em São Paulo sobre emissões veiculares e os futuros impactos na saúde, legislação e tecnologia, promovido pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).
A capital paulista ainda tem problemas de qualidade do ar, porém graças ao programa federal de controle por meio de cinco etapas de redução, iniciado em 1988 e plenamente cumprido pela indústria, o cenário já é bem diferente. A nova exigência para veículos a gasolina/etanol/gás – L6 – está em fase de discussão final para 2013. Infelizmente, as normas para motores diesel – que exigem uma série de "muletas" técnicas para ser limpo – não se cumpriram como esperado, em especial pela qualidade do combustível.
As entidades ambientais ainda se preocupam com dois poluentes: material particulado (originado em quase 100% nos motores a diesel) e ozônio ao nível do solo (formado por óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos sob luz solar). O primeiro muito mais perigoso que o segundo. Mesmo assim, os dias de atenção em função do ozônio caíram de 219 para 92 entre 2002 e 2006.
A Prefeitura paulistana implantou a inspeção ambiental, naturalmente bem-vinda. No entanto, outra vez se comprovou que começou errado. Em 1985 um carro novo poluía 20 vezes mais do que hoje; o mesmo carro com 40 mil quilômetros rodados, sem manutenção adequada, emitia o dobro. Atualmente a diferença entre um automóvel novo e com 40 mil quilômetros não chega a 5% nas emissões ponderadas. O resultado é uma constatação óbvia pela própria empresa Controlar, encarregada da vistoria: apenas 4% dos automóveis produzidos entre 2008 e 2003 tinham restrições. A empresa não revelou, no seminário, o percentual para aqueles com até três anos de uso. Certamente por se aproximar de zero de reprovação.
Como o número de motoristas ligados na importância da manutenção já é escasso, esse programa desperdiça uma chance de ouro. Conscientiza quem não precisa; deixa de conscientizar quem precisa. Se a preocupação fosse de fato a qualidade do ar, bastaria começar pelos carros fabricados entre 2000 e 2005. E em 2009 deixar de fora os automóveis com até três/quatro anos de uso, como se faz no resto do mundo. O problema é semelhante no Rio e sua precária vistoria de segurança e ambiental, a partir do segundo ano.
Roda Viva
MELHOR março e primeiro trimestre na série história de vendas internas comprovam o sucesso do plano de redução temporária do IPI. Anfavea faz sua projeção para o ano de 2009, considerando imposto menor até 30 de junho: vendas, 4% menores; produção, 11% inferior (pela queda forte nas exportações). Com certas condicionantes, 2009 pode até igualar 2008. Grande resultado.
CHEGADA do microcarro Smart, importado pela Mercedes-Benz por R$ 57.000 (conversível, mais R$ 7.000), comprova maturação do mercado brasileiro. Pode parecer caro para transportar só duas pessoas, mas é bom de guiar, tem câmbio automatizado e oferece conforto graças ao banco direito recuado. Gera exclusividade e frisson por onde passa.
APENAS 2,57 m de comprimento dão ao Smart facilidade ímpar para estacionar e ainda razoáveis 220 a 340 litros de volume no porta-malas. Porém sem estepe (vem um tubo vedador de furos). Motor traseiro turbo de 84 cv lhe dá agilidade impressionante. Além de atrativos 15 km/l de gasolina (cidade) e 24 km/l (estrada), segundo a fábrica.
CORRETA a estratégia da Kia ao lançar o motor diesel V6 de 250 cv no utilitário Mohave (quase 5 m de comprimento). Além da caixa auxiliar redutora de série, há opção de guincho funcional como manda a legislação. Gandini, importadora da marca sul-coreana, desenvolveu aqui o kit com o guincho seguindo todo o rigor técnico cabível.
CAIXA de câmbio automática nos sedãs médios tem grande aceitação. No entanto, a Citroën acredita que há demanda de câmbio manual no C4 Pallas. Antes oferecido apenas com motor 2-litros a gasolina, agora é disponível câmbio manual e motor flex por R$ 61.420. O fabricante, ao contrário de outros, estreou o motor flex na versão automática apenas.
Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.
COLUNA ANTERIOR: Por que reduzir IPI no Brasil funciona.
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