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OPINIÃO
26/05/2009 - 17h05
Alta Roda
Será preciso pagar mais por menos
Tecnologias para poupar combustível, como querem os EUA, já existem
por FERNANDO CALMON

Fernando Calmon - foto DivulgaçãoA recente política do governo norte-americano sobre diminuição do consumo de combustível mostra grande potencial de influenciar a indústria automobilística mundial. O objetivo é alcançar valores 40% melhores que a média atual da frota à venda de automóveis e comerciais leves (para eles utilitários de trabalho e de uso comum, picapes e monovolumes). Em termos numéricos trata-se de um salto de 10,7 km/l para 15 km/l, na média cidade-estrada, até 2015 (ano-modelo 2016).

Nesse novo cenário as marcas europeias podem encontrar mais compradores para seus produtos no maior mercado do mundo, mesmo sendo, no momento, superado pela China em razão da crise econômica. Até para o Brasil abrem-se oportunidades, em especial para serviços de engenharia e especialização em veículos compactos.

O presidente Obama destacou as vantagens ambientais, mas ressaltou também que o programa significará menor dependência dos EUA ao petróleo importado. Embora não tenha comentado, essa dependência levou o país a guerras e todas as suas sequelas. Para avaliar o alcance, a economia no decorrer da nova lei será de 2 bilhões de barris de petróleo, equivalente a cerca de um terço do reservatório gigante de Tupi descoberto na Bacia de Campos pela Petrobras.

Os grupos americanos – GM, Ford e Chrysler – saudaram a nova lei por resolver pendências entre 13 Estados liderados pela California e os órgãos de transporte e ambientais do governo federal que não se entendiam. Porém afasta-se a possibilidade de truques do passado, quando os três fabricantes ofereceram motores flex para compensar o alto consumo dos motores V8, mesmo sabendo que o etanol tinha oferta minguada no mercado.

Ainda será possível ter valores diferenciados de consumo entre veículos pequenos e grandes, mas o que vale agora é o retângulo ocupado no solo pelas quatro rodas. Existe um sistema de compensação para atingir a média. Marcas que se concentram em modelos pequenos também terão de se esforçar para alcançar as metas. Fabricantes de carros esporte, como Porsche, serão penalizados pela combinação de motores potentes e "pegadas" no solo pequenas.

Duas certezas: tecnologias para poupar combustível já existem e o comprador terá de pagar mais por modelos menos equipados e de dimensões menores. Há recursos simples e baratos, como pneus de baixa resistência à rodagem e lubrificantes de menor viscosidade. Outros mais caros, desde o sistema automático de parar e partir o motor em congestionamentos, até os híbridos combustão-eletricidade que encarecem os carros em até 30% (para estes o Congresso estuda incentivos monetários).

O governo estima que os veículos vão encarecer, em média, US$ 1.300 (R$ 2.600) ao longo de seis anos. Mas a conta tende a ser mais salgada. O preço da gasolina terá de subir no mínimo 50%, de forma permanente, para que os motoristas americanos abram mão dos padrões de costume. No mínimo deverão aprender a viver sem motores V8, que ainda estão em 20% dos carros e comerciais leves, e aceitar dimensões externas diminuídas.

Será um longo aprendizado, talvez por isso comprem menos veículos com consequências econômicas de peso, mas o mundo agradecerá penhorado.

Roda Viva

CARROS
elétricos a bateria terão longo caminho a percorrer. Nos EUA, pesquisa apontou que menos de 5% dos motoristas considerariam a compra nos próximos cinco anos. Preço elevado, baixa autonomia e tempo de abastecimento são alguns dos inconvenientes.

CONHECIDO recurso dos quatro fabricantes tradicionais, aqui instalados, de vestir carrocerias novas em plataformas ou arquiteturas preexistentes terá imitações no exterior. Aliança Renault-Nissan já anunciou que dará um tempo, em função das dificuldades financeiras mundiais, em relação a novas plataformas. Utilizarão as atuais em vários dos futuros lançamentos.

POLO Bluemotion, apesar da previsão bem modesta de vendas feita pela própria Volkswagen, é iniciativa viável e elogiável. O pacote de recursos técnicos para melhorar o consumo de combustível, custando em torno de R$ 5.000,00, na realidade é 90% coberto por opcionais de conforto-conveniência já oferecidos no resto da linha. Ou seja, recebe-se um carro mais equipado, pronto para economizar.

DIA-A-DIA do Polo Bluemotion, com seu câmbio de 5 marchas específico, não se torna desagradável, nem exige utilização exagerada da alavanca de câmbio, tanto na cidade quanto na estrada. A economia, em especial em viagens, é muito interessante. As novas especificações resultaram em ganho relativo maior ao se usar etanol, se comparado à gasolina.

QUEM pensa que só combustível sofre a interferência de fraudadores está enganado. Motoristas também devem ficar atentos quanto à qualidade dos lubrificantes. Índices de não-conformidade, inclusive ausência de aditivos, subiram entre o final de 2008 e o começo desse ano, segundo a ANP, agência fiscalizadora. Alguns postos, além de combustível ruim, também vendem óleo sem qualidade.

Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.

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