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| 23/06/2009 - 14h39 |
| Alta Roda |
| Reflexões sobre um ano de "lei seca" |
| Com fiscalização menor, tendência é de aumento no número de acidentes |
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| por FERNANDO CALMON |
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Um ano de promulgação da chamada "lei seca" levou ao balanço de praxe sobre sua eficácia na diminuição de mortos e feridos em acidentes de trânsito. A lei 11.705 resultou na severa redução de 67% da alcoolemia antes permitida. Na realidade o texto preconiza abstenção total de ingestão de bebida alcoólica antes de dirigir, porém permitiu uma tolerância. Até hoje subsiste o limite, provisório, de 0,1 mg de álcool por litro de ar expirado no teste do etilômetro (o popular bafômetro), equivalente a 0,2 g de álcool por litro de sangue.
Estudos apontam para um recuo inequívoco de acidentes, feridos e mortos. Segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes caiu 22,5% em média no país e os atendimentos às vítimas, em hospitais conveniados ao SUS (Sistema Único de Saúde), 23%. A Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) comparou o primeiro semestre de 2008 (portanto sem os efeitos da nova lei) com o segundo semestre e chegou a referências semelhantes: 28% a menos de internações no SUS por motivo de desastres em ruas e estradas.
Houve diferenças relevantes entre os estados em função da intensidade de fiscalização com que cada um se comprometeu. São Paulo, por exemplo, apontou queda de 7% no índice de fatalidades, menor em razão de ter iniciado já em 2007 um trabalho de vigilância e blitze regulares, antes mesmo da publicação da nova lei, quando ainda valia o antigo limite de alcoolemia de 0,3 mg/litro de ar expelido.
A reação de associações de bares e de parte de alguns formadores de opinião foi fortemente contrária ao limite menor de álcool no sangue para o motorista assumir o volante. Alegam que a maioria dos países mantém o limite de 0,3 mg/litro. Ações contra a nova lei chegaram ao Supremo Tribunal Federal, que ainda não se pronunciou. Será difícil a Justiça decidir contra a alcoolemia mais baixa, existente também em outros países e aqui aprovada pelo Congresso Nacional. Os críticos discordam das razões para os bons resultados, atribuindo o sucesso apenas e tão-somente ao aumento da fiscalização, independentemente do limite de alcoolemia.
É óbvio que a vigilância tem e sempre terá papel fundamental. Os governos federal e alguns estaduais mobilizaram-se para a compra de etilômetros e organizaram controles em vias públicas como nunca se viu, refletindo-se em estatísticas positivas. Por outro lado, mobilização repressiva permanente, em alto grau, é inviável. Claro que a fiscalização já diminuiu e os acidentes talvez voltem a subir. Campanhas educativas, como as do Denatran, mostram o seu peso, mas não são eternas. Punições efetivas também ajudariam, se superadas as chicanas judiciais infelizmente ainda existentes.
Uma constatação: motoristas que frequentam bares e restaurantes dificilmente limitam-se a duas ou três tulipas de cerveja, duas ou três taças de vinho. As doses ingeridas são maiores. Apenas a lembrança de que a tolerância da lei é próxima de zero já significa um saudável efeito inibidor. A Abramet constatou que a gravidade dos ferimentos e o tempo médio de internação caíram bastante. Trata-se da diferença entre um copo a mais ou a menos.
Roda Viva
NOVO hatch, previsto para setembro como primeiro produto do Projeto Viva da GM, será produzido exclusivamente na Argentina. Compromisso firmado graças ao financiamento governamental do país vizinho. Outros derivados, com a mesma arquitetura modificada do Corsa II atual, serão feitos aqui: picape e utilitário esportivo compactos. E talvez o sedã.
OUSAR no estilo, antes conservador, é estratégia da Mercedes-Benz aplicada no novo Classe E. Perfil e frente agradam; a traseira, menos. Desde a versão de entrada há recursos inéditos aqui, como controle automático de comutação entre farol alto/baixo e auxílio para estacionar seguindo instruções de acelerar, esterçar e frear. Suspensões, freios e motor (272 cv) irretocáveis, como sempre.
PREÇO alto, pelo imposto de importação de 35%, limita as vendas do Edge, apesar do apelo visual. Ao volante do crossover canadense da Ford, sensação de guiar é a de um utilitário esporte e não uma station wagon. Bitolas e pneus largos melhoram a dirigibilidade. Motor V6 (269 cv) dá conta bem dos 2.000 kg de peso. Tampa traseira tem acionamento elétrico.
ENGENHARIA de confiabilidade, com a ajuda de estudos estatísticos e programas de computador especialmente desenvolvidos, pode ajudar a controlar o número de recalls que assola a indústria. Segundo o engenheiro Cláudio Spanó, da filial brasileira da ReliaSoft, isso melhoraria a imagem do fabricante junto ao comprador, que teria também um incômodo a menos.
MAIS convergências na eletrônica de bordo. Primeiro auto-rádio da Pósitron inova com multifunções no painel de sintonia. É possível saber o status do alarme antifurto, além de distância e direção do obstáculo quando se instalam sensores de estacionamento lançados agora pela empresa. Elimina-se assim a necessidade de um mostrador específico.
Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.
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