
A onda ambientalista chegou para ficar e tem poder de mudar o cenário mundial, tanto nos combustíveis quanto nos veículos em circulação. O perigo da irracionalidade nessa discussão, porém, permeia ações atuais e futuras. Tudo o que resvala do campo técnico para o político costuma mexer em interesses econômicos, gerando perdedores e vencedores.
A inspeção ambiental nos veículos, iniciada na cidade de São Paulo, é uma bandeira fácil de defender. Afinal, cuidar do ar que todos respiramos está entre as obrigações de governo. Países com grandes frotas casam as preocupações com o meio ambiente e a segurança de trânsito numa única inspeção, a partir do quarto ano de vida do automóvel. Separar as duas inspeções custa caro e é contraproducente.
No entanto, a maior cidade brasileira implantou a vistoria independente de emissões veiculares. Passa longe da racionalidade e traz o risco de se repetir em outras grandes cidades por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente. O maior erro está sendo inspecionar carros novos, até os com poucos meses de uso. As primeiras liminares contrárias à iniciativa foram concedidas pela Justiça, que a entendeu como afronta aos princípios de razoabilidade.
A coluna sempre apoiou, em dez anos de existência, a inspeção veicular de segurança e ambiental unificadas, dentro de procedimentos tecnicamente corretos. Passados seis meses do controle de emissões em São Paulo, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente não informa os índices de reprovação para cada ano de fabricação entre 2008 e 2005, mesmo instada por duas vezes.
Cronometrado, o processo completo de agendar, deslocar-se, inspecionar e pedir reembolso durou quase 100 minutos. Questionado, o inspetor disse não se lembrar de nenhum modelo 2008, a exemplo do que passou pela avaliação/teste, ter sido reprovado. Então, trata-se de puro desperdício de tempo e dinheiro que, se espera, outras cidades não cometam. No Rio de Janeiro, as duas inspeções são unificadas, a partir de 12 meses, prazo também errado e sem reembolso.
Ainda bem, outras instâncias da sociedade discutem a sério o meio ambiente. Caso do 2º Simpósio Internacional de Combustíveis, Biocombustíveis e Aditivos, organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, semana passada, em São Paulo. Entre os temas, a expansão do etanol no mercado internacional, ainda pendente de discussões políticas para torná-lo commodity (matéria-prima de cotação livre) com especificação única. A Mahle demonstrou que motores virtuais podem simular o consumo de combustível, encurtando as fases de pesquisa de unidades mais econômicas e, portanto, menos poluentes.
Tecnologias avançadas, a exemplo da injeção direta, são caras, mas a Magneti Marelli vê possibilidade de chegarem ao Brasil à medida que o poder aquisitivo continue crescendo. A ANP, órgão regulador, garantiu: combustíveis fósseis mais limpos, de que o País precisa, estarão disponíveis em breve e os índices de adulteração já sofreram boa redução. Braço do Grupo Fiat, a FPT trabalha na conversão de motores Diesel a ciclo Otto etanol para uso específico no campo. A Toyota mostrou seu compromisso com os biocombustíveis na palestra do engenheiro japonês Nobutaka Morimitsu.
Roda Viva
ARGENTINA ficará com a produção exclusiva do Mégane III sedã, deixando a Renault, de São José dos Pinhais (PR), voltada aos modelos de maior venda. Quando o sedã médio chegar em 2010, a Scénic já deve ter sido descontinuada. A fábrica paranaense, à exceção do furgão Renault Master, só produzirá modelos Nissan e de origem Dacia, subsidiária romena do grupo francês. Quem diria...
VERSÃO esticada do Livina, o Nissan Grand Livina atende não apenas quem leva sete pessoas. É opção entre os que desejam um monovolume compacto com amplo porta-malas, ao rebater (sem esforço) os dois bancos da terceira fileira. Capricho no interior e em detalhes externos. Disponível apenas o motor de 1,8 l/126 cv, adequado ao seu porte. Bom de guiar, na estrada e na cidade.
CONFORME antecipado há dois anos pela coluna, Mitsubishi lançou o primeiro motor V6 flex em um veículo nacional, o Pajero Sport. Deve representar de 30 a 40% no mix com a versão a diesel. Mais um ou dois meses e estará também na picape L200 Triton. Motor ganhou 5 cv em relação ao só a gasolina: 205 cv garantem suavidade e desempenho ao utilitário esporte.
IDEIA interessante de três formandos em engenharia elétrica, do Centro Universitário da FEI, em São Bernardo (SP). Regulagem da intensidade dos faróis em função da iluminação do ambiente e sinais de alerta automáticos para motoristas que trafegam com farol alto em sentido contrário.
PRODUTO tão eficiente para limpar manchas diversas – piche, óleo, graxa – quanto adesivos e marcas de cola, em superfícies metálicas, de vidro ou tecido. É o que oferece a empresa multinacional Tapmatic, instalada em Barueri (SP), sob o sugestivo nome de Tira Grude. Mais informações: www.quimatic.com.br.
Fernando Calmon é engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Foi diretor de Redação da revista "Auto Esporte" (1976 a 1982 e 1990 a 1996) e editor de Automóveis de "O Cruzeiro" (1970 a 1975) e "Manchete" (1984 a 1990). Produziu e apresentou os programas "Grand Prix", na TV Tupi (1967 a 1980), e "Primeira Fila" (1985 a 1994), em cinco redes de TV. Exerce consultoria em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. É ainda correspondente para a América do Sul do site "just-auto", da Inglaterra. Fale com o colunista aqui.
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